Homem é denunciado por injúria racial após dizer que colega tem 'cheiro de preto' em São Vicente
Victor Fortes, de 29 anos, foi formalmente indiciado pela Polícia Civil sob a acusação de injúria racial. O caso ocorreu após ele ser gravado afirmando que um colega de trabalho possuía cheiro de preto, em um incidente que aconteceu no dia 24 de fevereiro, na cidade de São Vicente, no litoral paulista. O homem confessou às autoridades que se arrependeu profundamente dos comentários ofensivos e revelou ter recebido diversas ameaças de morte depois que o vídeo se espalhou rapidamente pela internet.
Contexto do caso e gravação reveladora
As ofensas racistas começaram enquanto Murilo Luiz Santos, também de 29 anos, compartilhava com Fortes que havia sido vítima de racismo no local de trabalho. Uma cliente se recusou a ser atendida por ele em um restaurante em Santos, cidade vizinha. Percebendo que o colega estava adotando uma atitude semelhante à da cliente, Murilo decidiu iniciar uma gravação discreta com seu celular.
No vídeo, que posteriormente viralizou nas redes sociais, Fortes chega a cheirar o pescoço de Murilo e declara para a câmera que reconhece o cheiro de preto, atribuindo-o à melanina forte. Ele ainda fez comparações inapropriadas, mencionando que já havia namorado um cara com cheiro muito branco. A ampla repercussão do material, somada ao fato de Fortes possuir mais de 10 mil seguidores online, fez com que outras pessoas se sentissem ofendidas, levando um morador de Cubatão a registrar uma queixa formal no 2° Distrito Policial da cidade.
Investigações policiais e depoimentos
As investigações foram abertas e a equipe da delegacia analisou o inquérito, concluindo que as falas de Fortes ultrapassaram os limites da liberdade de expressão e adentraram no campo da incitação ao preconceito racial. No dia 13 de março, policiais civis cumpriram um mandado de busca e apreensão na residência do indiciado em São Vicente. Eles foram recebidos pela avó de Fortes, que indicou o quarto onde ele dormia com o namorado.
Fortes e seu companheiro, atuando como investigado e testemunha respectivamente, foram conduzidos ao 2° DP de Cubatão para prestar depoimentos. Durante o interrogatório, Fortes admitiu ter proferido frases pejorativas em relação a pessoas negras, mas ressaltou que foi Murilo quem publicou o vídeo. Ele expressou arrependimento e mencionou as ameaças de morte recebidas após a viralização. Os investigadores realizaram uma breve análise no celular de Fortes, mas o devolveram rapidamente, pois os vídeos foram originalmente gravados no aparelho da vítima.
Repercussão e retratação pública
Após ouvir os comentários racistas, Murilo relatou ter sentido uma profunda revolta e decidiu publicar o vídeo em suas redes sociais, onde ele rapidamente ganhou destaque. No dia seguinte, 25 de fevereiro, o gerente acordou com dezenas de mensagens e ligações de Fortes. Em uma das mensagens, o indiciado escreveu: Se tu fez na intenção de me cancelar, eu fico mais hypado [viralizado] kk porque o que eu tenho de amigos negros, e amo eles.
Posteriormente, Fortes agradeceu a Murilo e publicou uma retratação pública nas redes sociais, reconhecendo seu erro e afirmando que não tinha intenção de ofender ninguém. Eu agradeço muito a quem me chamou com respeito e me deu oportunidade de aprender. Eu estou aberto a ouvir todos e melhorar, declarou ele. A defesa do indiciado não foi localizada até o momento da última atualização desta reportagem, e o homem foi liberado após prestar depoimento, permanecendo sob investigação.



