Brasil assume papel central na resposta global contra erosão democrática liderada por Trump
A organização internacional Human Rights Watch destacou o Brasil como um ator fundamental na formação de uma aliança global para combater a erosão democrática e dos direitos humanos acelerada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em seu 36º Relatório Mundial de Direitos Humanos, divulgado nesta quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026, a ONG traça um panorama preocupante da deterioração da ordem internacional e aponta caminhos para resistência coordenada.
Sistema global de direitos humanos em perigo
O diretor-adjunto da Human Rights Watch, Philippe Bolopion, foi categórico em seu comunicado: "O sistema global de direitos humanos está em perigo. Sob pressão implacável do presidente Trump, e persistentemente minada por China e Rússia, a ordem internacional está sendo destruída." Esta declaração sintetiza o tom alarmante do documento, que identifica 2025 como um ponto de virada crítico para as democracias mundiais.
O relatório detalha como a ascensão de Donald Trump à presidência americana acelerou um processo já em curso de recessão democrática global. Segundo a organização, os Estados Unidos se uniram a China e Rússia no desprezo a normas internacionais e mecanismos de responsabilização, criando um cenário onde apenas 75 dos quase 200 países analisados podem ser considerados regimes democráticos confiáveis.
Coalizão internacional com protagonismo brasileiro
Como resposta a este cenário preocupante, a Human Rights Watch defende a criação urgente de uma aliança internacional de países comprometidos com os direitos fundamentais. O Brasil aparece como peça-chave nesta coalizão, ao lado de outras nações como:
- Canadá
- Japão
- Austrália
- Reino Unido
- Estados-membros da União Europeia
A proposta da organização inclui a formação de acordos comerciais e de segurança vinculados ao respeito aos direitos humanos, além de uma atuação coordenada nas Nações Unidas para proteger mecanismos de responsabilização internacional. "Quebrar a onda autoritária e defender os direitos humanos é um desafio geracional", afirma o relatório, destacando a necessidade de uma reação determinada e estratégica.
Graves violações e números alarmantes
O documento da Human Rights Watch apresenta dados preocupantes sobre o estado da democracia mundial. De acordo com a pesquisa, 72% da população global vive sob regimes autoritários, um retrocesso a patamares observados em 1985. Esta regressão é atribuída em parte às políticas implementadas por Donald Trump desde seu retorno à Casa Branca.
Entre as graves violações apontadas pelo relatório estão:
- Destruição de programas de assistência alimentar
- Minimização de reparações por danos raciais
- Uso do cargo para intimidar opositores políticos
- Políticas migratórias que resultaram em 32 mortes de imigrantes em 2025
- Deportações questionáveis usando leis de 1798 tradicionalmente reservadas para tempos de guerra
A organização critica especialmente a retórica do presidente americano, que "se apoia em estereótipos racistas para classificar populações inteiras como indesejáveis nos Estados Unidos", e sua política externa que, segundo o relatório, trabalha com aparatos repressivos de outros países enquanto aliados ocidentais permanecem em silêncio.
Resposta coordenada como única solução
Para enfrentar este cenário desafiador, a Human Rights Watch argumenta que apenas uma resposta determinada, estratégica e coordenada poderá ser eficaz. Esta reação deve envolver eleitores, sociedade civil, instituições multilaterais e governos comprometidos com os direitos humanos.
O relatório enfatiza que, embora o crescimento do autoritarismo global seja uma tendência anterior a Trump, sua administração acelerou significativamente o processo de erosão democrática. A posição central do Brasil na proposta coalizão internacional reflete tanto os desafios enfrentados pelo país quanto seu potencial para liderar respostas multilaterais em defesa dos direitos fundamentais em um momento crítico para a ordem global.