Justiça condena assassinos de Marielle a pagar indenização e pensão à viúva
Os ex-policiais Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz, que confessaram o assassinato da vereadora Marielle Franco, foram condenados a pagar uma indenização de R$ 200 mil e uma pensão mensal à viúva Mônica Benício. A decisão foi proferida pela Justiça do Rio de Janeiro, marcando um novo capítulo no processo judicial relacionado ao crime que chocou o Brasil.
Detalhes da condenação cível
A sentença, emitida pelo juiz Marcos Antonio Ribeiro de Moura Brito, da 29.ª Vara Cível do Rio, determina o pagamento de uma pensão correspondente a dois terços da remuneração que Marielle Franco receberia como vereadora. O valor exato ainda será calculado no processo, mas estima-se em cerca de R$ 16 mil mensais.
O dinheiro deve ser depositado mensalmente até 2055, quando Mônica Benício completaria 76 anos, idade que corresponde à expectativa de vida média das mulheres no Brasil, conforme dados do IBGE. Essa medida visa compensar a perda financeira e emocional sofrida pela viúva.
Impacto emocional e fundamentação legal
Na decisão, o juiz destacou que a morte violenta da vereadora causou sofrimento intenso e duradouro, com um profundo abalo emocional e a ruptura abrupta do projeto de vida em comum entre Marielle e Mônica. A sentença afirma que as partes mantinham uma convivência estável, marcada por laços afetivos e de mútua assistência.
O texto judicial ressalta que o dano moral ultrapassa o mero dissabor cotidiano, atingindo diretamente os direitos da personalidade de Mônica Benício, configurando uma violação grave de sua integridade psíquica e emocional.
Contexto criminal e possíveis recursos
Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz já haviam sido condenados criminalmente pela execução de Marielle Franco, em um caso que gerou ampla repercussão nacional e internacional. A nova condenação, na esfera cível, não é definitiva e pode ser alvo de recursos por parte dos réus.
Eles têm o direito de recorrer para tentar derrubar a sentença ou reduzir o valor da indenização, o que pode prolongar o processo judicial. No entanto, a decisão atual representa um passo significativo na busca por justiça e reparação para a família da vereadora.
O caso continua a ser acompanhado de perto por defensores dos direitos humanos e pela sociedade brasileira, que esperam por uma resolução completa e justa para todos os envolvidos.