Advogado com nanismo denuncia discriminação em teste físico de concurso para delegado
Advogado com nanismo denuncia discriminação em concurso

Advogado com nanismo relata discriminação em teste físico de concurso para delegado

O advogado goiano Matheus Menezes, de 25 anos, que possui nanismo, foi desclassificado no Teste de Aptidão Física (TAF) de um concurso para delegado da Polícia Civil de Minas Gerais. Ele afirma ter sido vítima de discriminação após seu pedido de adaptação no exame biofísico não ter sido atendido pela banca examinadora.

Sonho profissional interrompido

Matheus Menezes revelou que a carreira de delegado sempre foi seu maior sonho profissional. "Ser delegado é o maior sonho da minha vida. Não vai ser o meu tamanho que vai impedir isso", declarou o advogado, demonstrando determinação em seguir na busca por sua vocação na segurança pública.

O candidato foi aprovado em todas as etapas anteriores do concurso, incluindo:

  • Prova objetiva
  • Prova discursiva
  • Exame oral
  • Exames biomédicos

Porém, foi considerado inapto apenas na fase dos exames biofísicos, que incluiu uma prova de impulsão horizontal com exigência mínima de 1,65 metro de salto.

Pedido de adaptação ignorado

Matheus explicou que ele e outros candidatos com deficiência solicitaram adaptações nos testes físicos, apresentando laudos médicos que comprovavam suas condições. "Nós solicitamos adaptação do teste físico à banca, apresentamos laudo médico, mas a banca simplesmente ignorou", denunciou o advogado.

Segundo ele, mudanças simples poderiam ter sido implementadas para permitir que realizasse o teste de forma compatível com sua condição física. Como não atingiu a marca mínima exigida no salto, não pôde concluir as demais provas do TAF.

Posicionamento das instituições

A Fundação Getúlio Vargas (FGV), responsável pela aplicação do concurso, emitiu nota explicando que o Edital de Convocação para os Exames Biofísicos, publicado em 09 de janeiro de 2026, previu expressamente que não haveria adaptação dessa etapa às condições individuais dos candidatos.

Conforme disposto no item 1.19 do referido edital, os exames biofísicos foram realizados nas mesmas condições para todos os participantes, em conformidade com as regras previamente estabelecidas no certame.

Processo judicial e impacto social

Matheus Menezes já ingressou com ação na Justiça contestando sua eliminação do concurso. Ele também destacou que seu caso ganhou repercussão nas redes sociais e serviu para encorajar outras pessoas com deficiência a perseguirem seus objetivos profissionais.

"Eu decidi fazer essa denúncia para dar voz aos nossos direitos, que foram desrespeitados. Não foi só comigo, foram vários candidatos PCDs", afirmou o advogado, referindo-se a pessoas com deficiência que também participaram do processo seletivo.

A Polícia Civil de Minas Gerais confirmou que o candidato foi aprovado em todas as etapas anteriores, mas manteve a decisão de inaptidão no teste físico, seguindo as determinações do edital do concurso.