Um relatório atualizado da Plataforma de Coordenação Interagencial para Refugiados e Migrantes da Venezuela (R4V) revela a dimensão do êxodo do país sul-americano. Atualmente, 8,6 milhões de venezuelanos vivem fora de sua terra natal, seja na condição de refugiados ou imigrantes. Os dados, compilados por uma rede que inclui agências da ONU e ONGs, são referentes a novembro de 2025.
Destinos principais da diáspora venezuelana
Desse total impressionante, 6,9 milhões estão distribuídos por nações da América Latina. A vizinha Colômbia lidera o ranking, com a presença de 2,8 milhões de venezuelanos. Em segundo lugar aparece o Peru, com 1,7 milhão de pessoas.
O Brasil ocupa a terceira posição entre os países que mais receberam cidadãos venezuelanos. Segundo a última contagem, o território brasileiro abriga 626,9 mil imigrantes dessa nacionalidade. O Chile vem em seguida, com 669,4 mil, e a Espanha, único país europeu no topo da lista, conta com 602,5 mil venezuelanos.
Refúgio e pedidos de asilo pendentes
Do total de deslocados, mais de 395 mil venezuelanos já obtiveram reconhecimento formal como refugiados. A Espanha é a nação que mais concedeu esse status, com 150 mil refugiados venezuelanos em seu território.
O Brasil aparece em segundo lugar nesse aspecto específico, com 145,2 mil refugiados reconhecidos. Os Estados Unidos vêm depois, com 28,1 mil, e o México, com 26,9 mil.
Contudo, a situação de milhares ainda aguarda definição. Existem 1,36 milhão de pedidos de asilo feitos por venezuelanos que estão pendentes em todo o mundo. A maior fila está nos Estados Unidos, com 620,1 mil solicitações aguardando análise. O Peru tem 530,4 mil pedidos pendentes, a Espanha, 112,5 mil, e o Brasil, 27 mil.
Cenário político e reações da diáspora
A recente saída forçada de Nicolás Maduro da Venezuela gerou um sentimento inicial de celebração entre muitos exilados. No entanto, para diversos dos milhões que deixaram o país na última década, a alegria de ver o ex-líder comparecer perante um tribunal em Nova York foi ofuscada pela continuidade de seus altos funcionários no comando.
Em suas primeiras declarações após a captura de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, o presidente americano, Donald Trump, demonstrou disposição para trabalhar com a líder interina, Delcy Rodríguez. Essa posição deixou de lado a opositora e Nobel da Paz, María Corina Machado.
Delcy Rodríguez, que era vice de Maduro, assumiu interinamente na segunda-feira à frente do mesmo governo, que inclui figuras como o ministro do Interior, Diosdado Cabello, e o da Defesa, Vladimir Padrino. Cabello é uma figura temida, associada à repressão dos protestos pós-eleitorais de 2024, que resultaram na detenção de cerca de 2.400 pessoas.
A União Europeia já se manifestou, exigindo que qualquer processo de transição no país inclua María Corina Machado e seu candidato nas eleições presidenciais de 2024, Edmundo González Urrutia, cuja vitória é reivindicada pela oposição venezuelana.
Paralelamente, o governo Trump recuou na acusação de que Maduro liderava o suposto Cartel de Los Soles. No entanto, mantém a acusação de narcotráfico contra o ex-presidente venezuelano.