Pequenos negócios mantêm viva cultura e economia em comunidades goianas
Pequenos negócios mantêm cultura e economia em Goiás

Em Goiás, pequenos negócios comunitários têm se destacado por manter viva a cultura e movimentar a economia local. Na Cidade de Goiás e no distrito de Olhos d’Água, em Alexânia, mulheres e trabalhadores transformam saberes tradicionais em fonte de renda, por meio de bordados, cerâmica, culinária e reciclagem. Essas iniciativas, baseadas no empreendedorismo social e na economia criativa, fortalecem o trabalho coletivo e geram impacto positivo nas comunidades.

Associação Mulheres Coralinas: poesia e autonomia financeira

Criada em 2013 a partir de um projeto de enfrentamento à violência doméstica, a Associação Mulheres Coralinas, na Cidade de Goiás, reúne cerca de 150 mulheres que participaram de oficinas de gastronomia, bordado, cerâmica e fibras naturais do cerrado. Formalizada em 2016, a associação comercializa coletivamente os produtos, incorporando versos da escritora Cora Coralina às peças. A coordenadora Ebe Maria de Lima Siqueira destaca que o objetivo é unir geração de renda e fortalecimento social, promovendo autonomia financeira e de pensamento. Hoje, o grupo mantém uma loja no Mercado Municipal e participa de feiras e eventos culturais, além de promover rodas de conversa e atividades de economia solidária.

Da cooperativa de reciclagem à transformação social

A Cooperativa Recicla Tudo surgiu em 2018, a partir da mobilização de professores, artistas e catadores do lixão da Cidade de Goiás. Formalizada dois anos depois, a cooperativa hoje beneficia 12 famílias, que antes trabalhavam em condições precárias e eram reféns de atravessadores. Com a criação da cooperativa, os trabalhadores conquistaram o primeiro contrato de coleta seletiva entre uma cooperativa e uma prefeitura em Goiás. A cientista social Jaqueline Talga Vilas Boas ressalta que a organização coletiva trouxe não apenas melhoria de renda, mas também a percepção dos cooperados como sujeitos de direitos. A iniciativa também mudou a relação da cidade com o lixo, incentivando a separação de resíduos nas residências.

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Cultura como motor econômico em Olhos d’Água

No distrito de Olhos d’Água, em Alexânia, a Associação Comunitária de Olhos d’Água (Acorde) utiliza a cultura como ferramenta de desenvolvimento econômico. A associação promove oficinas de música, artesanato, corte e costura, além de apoiar a tradicional Feira do Troca. A presidente Mariana Bulhões afirma que a cultura é a base da economia criativa local. A Acorde também administra o Memorial de Olhos d’Água, voltado à preservação da memória e dos saberes tradicionais. Alunos formados nas oficinas tornaram-se músicos e artesãos, representando a comunidade nacionalmente. Em 2024, artesãs participaram de parceria com estilistas em evento de moda. Para Mariana, a cultura movimenta toda a cadeia produtiva local, desde o artesanato até a alimentação durante os eventos.

Apoio do Sebrae e desafios enfrentados

O Sebrae Goiás oferece capacitações em áreas como artesanato, marketing e economia criativa para fortalecer o empreendedorismo comunitário. O analista João Luiz Prestes Rabelo destaca que o consumidor atual busca autenticidade e conexão emocional com produtos que carregam identidade cultural. Apesar dos avanços, as iniciativas enfrentam desafios como falta de estrutura, dificuldades de financiamento e ausência de políticas públicas permanentes. As Mulheres Coralinas têm limitações nas vendas online, a Recicla Tudo precisa de mais apoio público para a coleta seletiva, e a Acorde luta para manter recursos contínuos. Mesmo assim, os projetos seguem apostando no trabalho coletivo para gerar renda e preservar a cultura no interior de Goiás.

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