Focus: Quedas de 0,25% da Selic até junho são esperadas pelo mercado
Focus: Quedas de 0,25% da Selic até junho

O mercado financeiro brasileiro já começa a precificar cortes adicionais na taxa básica de juros, a Selic, nos próximos meses. Segundo o boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira pelo Banco Central, a expectativa mediana para a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) de maio é de uma redução de 0,25 ponto percentual, levando a taxa para 14,25% ao ano. Para a reunião de junho, a projeção também é de queda de 0,25 ponto, com a Selic atingindo 14% ao ano.

Mercado ajusta expectativas

A pesquisa Focus, que coleta semanalmente as projeções de cerca de 100 instituições financeiras, mostra uma mudança no cenário anterior. Há algumas semanas, a expectativa era de manutenção da taxa ou cortes mais modestos. Agora, o mercado parece mais confiante em um ciclo de afrouxamento monetário mais acelerado, impulsionado por sinais de desaceleração da economia e inflação sob controle.

Para o final de 2026, a mediana das projeções indica a Selic em 13% ao ano, o que representaria uma queda acumulada de 1,5 ponto percentual em relação ao patamar atual de 14,50%. Esse movimento reflete a percepção de que o Banco Central pode ter espaço para reduzir os juros sem comprometer a meta de inflação.

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Impacto na economia

Analistas avaliam que cortes na Selic podem estimular o consumo e os investimentos, beneficiando setores como varejo, construção civil e indústria. No entanto, alertam que o ritmo de queda dependerá de fatores como a evolução do câmbio, dos preços das commodities e da atividade econômica global.

O presidente do Banco Central, em declarações recentes, reforçou que as decisões serão tomadas com base nos dados, mas não descartou a possibilidade de cortes graduais caso a inflação continue dentro da meta. A próxima reunião do Copom está agendada para os dias 6 e 7 de maio.

Projeções para a inflação

O boletim Focus também trouxe atualizações para as expectativas de inflação. O IPCA para 2026 foi mantido em 4,5%, dentro do teto da meta, que é de 4,50% com tolerância de 1,5 ponto. Para 2027, a projeção ficou em 3,8%, também estável. Esses números reforçam a tese de que a inflação está cedendo, abrindo caminho para cortes na Selic.

Contexto internacional

No cenário externo, a expectativa de cortes de juros pelo Federal Reserve (Fed) nos Estados Unidos também influencia as apostas para o Brasil. Com a economia americana mostrando sinais de desaceleração, o Fed pode iniciar um ciclo de afrouxamento, o que aliviaria a pressão sobre moedas emergentes e permitiria ao Banco Central brasileiro reduzir a Selic sem gerar grande volatilidade cambial.

Especialistas ponderam que, embora as projeções indiquem quedas, o Copom manterá cautela para evitar surpresas inflacionárias. A ata da última reunião do comitê destacou que a política monetária precisa permanecer contracionista por mais tempo para garantir a convergência da inflação para a meta.

O que esperar

Com a divulgação do Focus de hoje, o mercado sinaliza que acredita em um ciclo de cortes moderados, mas consistentes, ao longo do primeiro semestre. As próximas semanas serão cruciais para confirmar essa tendência, com a divulgação de indicadores de inflação, atividade e emprego.

Para investidores, a perspectiva de juros mais baixos pode tornar ativos de renda variável, como ações, mais atrativos em relação à renda fixa. No entanto, a recomendação é de cautela, pois o cenário ainda apresenta riscos, como a possibilidade de choques de oferta ou desancoragem das expectativas de inflação.

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