Itaú mantém gestão conservadora para 2026 com Selic alta e leve alta no desemprego
Itaú mantém estratégia conservadora para 2026 com juros altos

Itaú mantém estratégia conservadora para 2026 diante de juros altos e leve crescimento do desemprego

O Banco Itaú, sob a liderança do CEO Milton Maluhy Filho, decidiu manter sua gestão conservadora e assertiva para o ano de 2026. Essa decisão estratégica ocorre em um cenário macroeconômico desafiador, marcado pela expectativa de que a taxa básica de juros, a Selic, permaneça em dois dígitos, em torno de 12,75% ao ano, e pela projeção de uma leve alta na taxa de desemprego, que deve subir de 5,4% para 5,7%.

Contexto macroeconômico e projeções do banco

O Itaú avalia que o ambiente econômico para 2026 será complexo, com uma desaceleração no crescimento do PIB, estimado em 1,9%, em comparação com os 2,3% projetados para 2025. Além disso, a inflação deve encerrar o ano em 4%, enquanto a Selic, embora em queda dos atuais 15%, continuará em um patamar elevado. A volatilidade do mercado também deve aumentar devido às eleições, com possíveis impactos no câmbio, como uma disparada do dólar.

Diante desse panorama, o banco projeta um avanço na carteira de crédito total entre 5,5% e 9,5% ao ano, com a carteira no Brasil crescendo entre 6,5% e 10,5%. A margem financeira com os clientes deve aumentar de 5% a 9%, e a receita com prestação de serviços deve crescer na mesma faixa. O Retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROE) deve se manter em patamares similares aos do último trimestre de 2025, que foi de 24,4%.

Resultados financeiros e estratégia de provisões

No quarto trimestre de 2025, o Itaú reportou um lucro líquido recorrente de 12,31 bilhões de reais, representando uma alta de 13,2% em comparação com o mesmo período de 2024. A inadimplência acima de 90 dias recuou 0,1 ponto porcentual na comparação anual, ficando em 1,9%, o menor patamar da série histórica do banco.

No entanto, as Provisões para Devedores Duvidosos (PDD) avançaram 8,7% na comparação anual, chegando a 9,39 bilhões de reais. Em 2025, as provisões somaram 36,6 bilhões de reais, e para 2026, o banco projeta que devem ficar entre 38,5 bilhões e 43,5 bilhões de reais, uma alta entre 5,19% e 18,5%.

Segundo Milton Maluhy Filho, esse aumento nas provisões não reflete uma preocupação específica com a inadimplência, mas está alinhado com a nova resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN), a norma nº 4.966. Essa medida exige que os bancos antecipem o provisionamento para perda esperada, baseando-se no perfil e histórico do cliente, em vez de apenas para perda ocorrida. Essa mudança é sistêmica em todo o setor financeiro.

Foco em clientes resilientes e manutenção da estratégia

O Itaú continuará buscando clientes resilientes, mantendo a mesma estratégia de sucesso aplicada nos últimos anos. O banco não pretende fazer distinções entre setores para expansão da carteira, mas sim focar na combinação entre boa rentabilidade e resiliência dos clientes. A ideia é evitar grandes riscos na concessão de crédito, uma abordagem que tem gerado bons resultados.

Durante coletiva com jornalistas, Maluhy Filho afirmou que as projeções do banco não são consideradas conservadoras, mas sim realistas diante do cenário macroeconômico. Ele destacou que ajustes podem ser feitos ao longo do ano, conforme necessário. O executivo também reafirmou a expectativa de que a inadimplência permaneça estável e contida em 2026, graças ao foco em clientes com perfil resiliente.

Conclusão

Em resumo, o Itaú opta por não alterar sua estratégia vencedora para 2026, mantendo uma gestão conservadora que prioriza a estabilidade e a rentabilidade. Com a Selic ainda em dois dígitos e um leve aumento no desemprego, o banco segue o ditado popular de que em time que está ganhando não se mexe, apostando na continuidade de seus resultados positivos, como a baixa inadimplência e o alto retorno sobre o patrimônio líquido.