Chuvas intensas em Campinas causam perdas de até 40% na produção de hortaliças
Chuvas em Campinas causam perdas de 40% em verduras

Chuvas acima da média em Campinas prejudicam produção de hortaliças

As chuvas intensas que atingiram a região de Campinas, no interior de São Paulo, entre os dias 2 e 5 de fevereiro, resultaram em prejuízos significativos para os produtores rurais. De acordo com dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o município registrou 62 milímetros de precipitação nesse período, o que representa impressionantes 35% do volume de chuva esperado para todo o mês.

Acumulado de chuvas supera média histórica

O problema não se limitou a esses quatro dias. O excesso pluviométrico começou ainda em janeiro, conforme informações do Centro Integrado de Informações Agrometeorológicas (Ciiagro). Na Estação do Taquaral, em Campinas, o acumulado do mês chegou a 339 milímetros, valor 79 milímetros acima da média histórica, que é de 261 milímetros para o período.

Esse volume elevado e constante de água tem causado danos diretos às lavouras, especialmente às culturas mais sensíveis, como as hortaliças folhosas.

Produtores relatam perdas de até 40% na produção

O produtor rural Sérgio Donofrio, que cultiva diferentes tipos de hortaliças em Campinas, estima ter perdido entre 30% e 40% de sua produção devido às condições climáticas adversas. “A qualidade diminui bastante, porque elas perdem muito em tempo de prateleira”, relata Donofrio.

Ele explica que, enquanto no inverno a alface pode durar até uma semana na geladeira, nessa época de chuvas intensas o produto começa a se deteriorar em apenas dois ou três dias. Para compensar a redução na colheita e atender a demanda, o produtor precisou buscar alternativas no Ceagesp de São Paulo, o que impactou diretamente nos custos.

“Há 30 dias, a alface que estava R$ 20 uma caixa, agora está R$ 50”, conta Donofrio, destacando como a escassez local tem elevado os preços no mercado.

Umidade excessiva causa podridão nas lavouras

A agrometeorologista Ludmila Camparoto, em entrevista à EPTV, afiliada da TV Globo, detalhou o mecanismo pelo qual as chuvas prejudicam as hortaliças. “O grande problema para as hortaliças é essa podridão, já que elas ficam muito próximas do solo”, afirma a especialista.

Ela explica que o aumento da umidade do solo favorece a formação de uma mistura de água e terra, que acelera o apodrecimento das raízes e das folhas. Esse processo, conhecido como “podridão”, compromete severamente a qualidade geral dos produtos, reduzindo não apenas a quantidade colhida, mas também a durabilidade pós-colheita.

Previsão indica chuvas até março de 2026

A situação pode se prolongar e até se intensificar. A previsão meteorológica aponta que as lavouras continuarão sofrendo com as chuvas até o início de março de 2026. Ludmila Camparoto alerta que o período entre o final de fevereiro e o começo de março é particularmente preocupante.

“Entre o final de fevereiro e o início de março, a gente observa novamente uma condição de mais chuvas. Isso exige um ponto de atenção dos produtores, principalmente no planejamento da colheita e na preservação da qualidade das lavouras”, orienta a agrometeorologista.

Ela recomenda que produtores, comerciantes e consumidores se planejem para enfrentar os desafios impostos pelo clima, que incluem desde a logística de colheita até a gestão da oferta e dos preços no varejo.

Os impactos das chuvas em Campinas servem como um alerta para a vulnerabilidade da agricultura, especialmente das culturas de ciclo curto e alta sensibilidade, frente a eventos climáticos extremos. A combinação de perdas na produção, redução da qualidade e aumento dos preços ilustra a cadeia de efeitos que um fenômeno meteorológico pode desencadear no setor agropecuário e na economia local.