Fim da escala 6x1 pode gerar perdas bilionárias em shoppings e encarecer imóveis
Fim da escala 6x1 ameaça shoppings e encarece construção civil

Fim da escala 6x1 representa ameaça bilionária para shoppings e construção civil

A possível extinção da escala de trabalho 6 por 1 pode desencadear um impacto financeiro significativo em setores estratégicos da economia brasileira, conforme revela um estudo aprofundado da Tendências Consultoria. A pesquisa, realizada em parceria com a Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce) e enviado à revista VEJA, destaca que os shoppings centers enfrentariam perdas acumuladas de até 32 bilhões de reais, enquanto o setor da construção civil sofreria com aumentos de custos que podem chegar a 11%.

Impacto devastador no faturamento dos shoppings centers

No cenário mais crítico, o faturamento do setor de shoppings, que alcançou a marca de 200,9 bilhões de reais em 2025, poderia cair drasticamente para 168,7 bilhões de reais. Essa redução representa uma perda potencial de 16% e está diretamente associada à adoção da escala de trabalho quatro por três, que prevê quatro dias de trabalho e três de folga. Essa proposta está incluída na Proposta de Emenda à Constituição apresentada pela deputada Erika Hilton, do PSOL de São Paulo.

Mesmo em um cenário menos severo, como o da escala cinco por dois – com cinco dias de trabalho e dois de folga, modelo defendido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e enviado ao Congresso Nacional –, as projeções ainda são preocupantes. A Abrasce estima uma perda de 7% no faturamento, que recuaria para 186,2 bilhões de reais, evidenciando a sensibilidade do setor a mudanças na legislação trabalhista.

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Construção civil enfrenta aumento de custos e exclusão de famílias

O levantamento da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) complementa o panorama ao destacar os efeitos negativos sobre o acesso à moradia. Para imóveis populares avaliados em 200 mil reais, o valor final do financiamento subiria para 211 mil reais no cenário de jornada de 40 horas semanais e para 222 mil reais no cenário de 36 horas. Como consequência direta, estima-se que:

  • 1,6 milhão de famílias seriam excluídas do acesso ao financiamento por renda insuficiente no primeiro cenário.
  • 3,3 milhões de famílias enfrentariam a mesma exclusão no segundo cenário.

O impacto não se limita ao segmento popular. Para imóveis de médio e alto padrão, com avaliação de 500 mil reais, o valor final do financiamento passaria para 527,5 mil reais no cenário de 40 horas e para 555 mil reais no cenário de 36 horas. Nessa faixa, projeta-se que:

  1. 570 mil famílias perderiam o acesso ao financiamento no primeiro cenário.
  2. 860 mil famílias seriam afetadas no segundo cenário.

Mão de obra como fator determinante nos custos

Segundo a Abrainc, o aumento expressivo nos custos ocorre porque a mão de obra representa aproximadamente 40% do custo total dos empreendimentos imobiliários. A mudança na escala de trabalho eleva o custo total das obras em relação ao Valor Geral de Vendas (VGV) em 5,5% no cenário de 40 horas e em 11% no cenário de 36 horas. Esse reajuste considera tanto os efeitos diretos quanto os indiretos sobre mão de obra, materiais e serviços, ampliando a pressão sobre a viabilidade econômica de novos projetos.

Os dados apresentados reforçam a necessidade de uma análise cuidadosa sobre as implicações das mudanças na legislação trabalhista, equilibrando direitos dos trabalhadores com a sustentabilidade econômica de setores vitais para o desenvolvimento nacional.

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