Investidores desconfiam de gastos bilionários em IA, causando queda na Nasdaq
Desconfiança em gastos com IA derruba ações de big techs

Desconfiança de investidores em IA provoca turbulência no mercado tecnológico

O cenário para o setor de tecnologia na bolsa de valores dos Estados Unidos tornou-se particularmente complicado na última semana, impulsionado por uma crescente desconfiança dos investidores em relação aos gastos massivos com inteligência artificial. Grandes empresas do ramo, como Amazon, Google, Meta e Microsoft, recentemente revelaram planos ambiciosos de investir, em conjunto, a impressionante quantia de US$ 660 bilhões na expansão da IA ao longo deste ano.

Quedas expressivas e reações em cadeia no mercado

Segundo informações publicadas pelo Financial Times, esse valor representa um aumento significativo de 60% em comparação com os gastos projetados para 2025. As ações da Amazon, por exemplo, sofreram uma queda acentuada na última sexta-feira, dia 6, logo após a empresa divulgar sua intenção de investir US$ 200 bilhões em inteligência artificial durante o ano de 2026.

Um dia antes desse anúncio, a Alphabet, holding controladora do Google, já havia feito uma declaração semelhante, o que aprofundou ainda mais a venda de ações de tecnologia. Esse movimento coletivo levou o índice Nasdaq, referência importante da bolsa de Nova York, a fechar em seu nível mais baixo em mais de dois meses, refletindo o clima de incerteza que tomou conta do mercado.

Contrapontos e visões otimistas dentro do setor

Nem tudo, porém, foi marcado pelo pessimismo durante essa semana conturbada. Os planos de ampliação dos gastos com inteligência artificial animaram as ações de empresas como Nvidia e AMD, que são as principais fabricantes de chips especializados para essa tecnologia avançada. Além disso, após três dias consecutivos de perdas, empresas focadas em software e serviços de dados conseguiram amenizar parcialmente a queda na sexta-feira.

Essa recuperação parcial ocorreu mesmo diante do temor generalizado de que a inteligência artificial pudesse prejudicar a demanda por negócios mais tradicionais. Preocupações semelhantes afetaram companhias como Oracle, Palantir, Salesforce e SAP, mas foram consideradas "ilógicas" pelo CEO da Nvidia, Jensen Huang, durante um evento promovido pela Cisco na última quarta-feira, dia 4.

Debates sobre o impacto real da IA nos negócios estabelecidos

Em sua fala, Huang contestou veementemente a noção de que as ferramentas convencionais do setor de software estariam em declínio e seriam substituídas pela inteligência artificial. "É a coisa mais ilógica do mundo, e o tempo provará isso", afirmou o executivo, destacando que os avanços recentes em IA estão mais relacionados ao uso eficiente de ferramentas existentes do que à sua substituição completa.

Esse pensamento foi ecoado ao longo da semana por outros líderes das grandes empresas de tecnologia, que têm essas corporações de software como clientes importantes. Sundar Pichai, CEO do Google, ressaltou que a inteligência artificial tem funcionado como uma ferramenta capacitadora em produtos e serviços, oferecendo oportunidades semelhantes para empresas que sabem aproveitar o momento.

Contexto histórico e perspectivas futuras para os investimentos

Kristina Hooper, estrategista-chefe de mercado da Man Group, avaliou em entrevista à Reuters que, assim como em qualquer grande inovação tecnológica, existe inicialmente um estágio de entusiasmo quase descarado, seguido por um período de maior discernimento e cautela. Em 2025, a forte demanda por ações de empresas vinculadas à IA impulsionou os principais índices da bolsa americana.

Contudo, no final de janeiro, as preocupações com os resultados financeiros desses investimentos fizeram a Microsoft perder cerca de US$ 400 bilhões em valor de mercado em um único dia, de acordo com a France Presse. A divulgação dos resultados trimestrais da empresa mostrou que, pela primeira vez, a receita com serviços em nuvem ultrapassou a marca de US$ 50 bilhões, mas a margem de lucro diminuiu devido aos investimentos massivos em data centers para inteligência artificial.

Lançamentos recentes e novas preocupações setoriais

O temor de que a inteligência artificial possa minar outros negócios consolidados, como ferramentas de software e serviços de análise de dados, cresceu ainda mais nesta semana com o lançamento de novos softwares pela Anthropic, dona do Claude, concorrente direto do ChatGPT. As novidades apresentadas foram voltadas especificamente para usos corporativos, incluindo a automação da revisão de contratos jurídicos.

Matthew Miskin, coestrategista-chefe de investimentos da Manulife John Hancock, também em declarações à Reuters, comparou a situação anterior a um cenário em que a IA "levantava todos os barcos". Agora, no entanto, há preocupações genuínas de que essa aceleração massiva no setor de tecnologia possa fazer com que outros negócios não consigam manter o mesmo ritmo de crescimento que apresentavam anteriormente.

Apesar das turbulências, a Nasdaq terminou a semana com uma queda acumulada de quase 2%, sinalizando que o nervosismo dos investidores ainda persiste, enquanto o mercado busca um equilíbrio entre inovação e retorno financeiro sustentável.