Correios iniciam leilão de imóveis para recompor caixa e financiar reestruturação
Diante de um rombo financeiro estimado em R$ 9 bilhões ao final do ano, os Correios decidiram transformar patrimônio imobiliário em recursos para recompor seu caixa. A empresa estatal lançou um ambicioso plano de reestruturação que inclui a venda de ativos ociosos, redução de pessoal e captação de crédito para garantir sua sobrevivência e modernização.
Primeira etapa de leilões online
Os primeiros leilões estão marcados para os dias 12 e 26 de fevereiro, ocorrendo integralmente de forma online e abertos tanto para pessoas físicas quanto jurídicas. Nesta fase inicial, serão colocados à venda 21 propriedades localizadas na Bahia e em outros 11 estados brasileiros.
O portfólio de imóveis disponíveis é bastante diversificado, incluindo:
- Apartamentos funcionais
- Terrenos urbanos e rurais
- Galpões logísticos
- Lojas comerciais
- Prédios administrativos
- Antigos complexos operacionais
Os valores dos imóveis variam significativamente, com preços que vão desde R$ 19 mil até impressionantes R$ 11 milhões por propriedade.
Plano abrangente de recuperação financeira
Segundo informações da jornalista Monica Bergamo, da Folha de S.Paulo, o plano dos Correios é mais amplo do que apenas esta primeira etapa. A expectativa é que cerca de 60 propriedades sejam alienadas até dezembro deste ano, com o objetivo de arrecadar aproximadamente R$ 1,5 bilhão em recursos.
Os recursos obtidos com as vendas serão destinados a múltiplas frentes de ação:
- Reorganização financeira da empresa
- Redução de custos fixos operacionais
- Modernização da infraestrutura logística
- Expansão no competitivo mercado de comércio eletrônico
Redução de quadro funcional e captação de crédito
Paralelamente ao leilão de imóveis, os Correios reabriram seu Programa de Demissão Voluntária, com potencial para atingir até 15 mil funcionários entre 2026 e 2027. A medida visa gerar uma economia anual projetada de R$ 2,1 bilhões, com impacto pleno esperado a partir de 2028.
Complementando essas ações, a estatal anunciou no final do ano passado a captação de R$ 12 bilhões em crédito para estancar a crise de caixa e financiar sua transição operacional. Este pacote financeiro busca comprar tempo para que a empresa possa se reposicionar competitivamente no mercado.
Desafios estruturais e transformação necessária
Os Correios enfrentam uma combinação complexa de desafios que incluem:
- Custos operacionais elevados
- Produtividade desigual em diferentes regiões
- Concorrência feroz no segmento de encomendas
- Necessidade de modernização tecnológica
Embora a venda de imóveis ajude a recompor o caixa no curto prazo, especialistas alertam que essa medida por si só não cria vantagem competitiva duradoura. Da mesma forma, a redução de pessoal pode melhorar as margens financeiras temporariamente, mas requer calibragem cuidadosa para não comprometer a capacidade operacional da empresa.
A estratégia revela um esforço significativo para trocar heranças do passado por apostas no futuro. Galpões vazios e prédios administrativos estão sendo convertidos em recursos para investimentos em logística moderna e expansão no e-commerce.
A grande questão que permanece é se a estatal conseguirá converter essa liquidação patrimonial em uma transformação real e sustentável de seu modelo de negócios, recuperando relevância em um mercado cada vez mais dominado por plataformas privadas ágeis e bem capitalizadas.