Setor da Construção Civil Brasileira Espera Recuperação em 2026 com Projeção de 2% de Crescimento
Após enfrentar uma desaceleração significativa no ano passado, a construção civil brasileira deve apresentar um desempenho mais robusto em 2026. A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) projeta um crescimento de 2% para o setor, marcando o terceiro ano consecutivo de expansão. Segundo análises da entidade, esse avanço será impulsionado por uma combinação de fatores econômicos favoráveis e políticas públicas direcionadas.
Fatores que Impulsionam a Recuperação do Setor
Diversos elementos contribuem para o cenário otimista projetado pela CBIC. A expectativa de queda nas taxas de juros, o aumento da oferta de crédito imobiliário e os investimentos crescentes em infraestrutura formam a base dessa recuperação. Entre as iniciativas públicas que devem impactar positivamente estão:
- Orçamento recorde do FGTS destinado à habitação
- Novas contratações do programa Minha Casa, Minha Vida
- Implementação do novo modelo de financiamento imobiliário com recursos da poupança
- Programas voltados para reforma de moradias, como o Reforma Casa Brasil, que prevê investimentos de aproximadamente R$ 40 bilhões
Além disso, a ampliação dos limites do Sistema Financeiro de Habitação (SFH) tende a aumentar significativamente a disponibilidade de crédito para aquisição de imóveis. "A expectativa é de um incremento no crédito imobiliário, com impactos positivos para o setor", afirma Ieda Vasconcelos, economista-chefe da CBIC.
Desafios que Ainda Persistem na Construção Civil
Apesar do cenário mais favorável, a construção civil brasileira continua enfrentando obstáculos consideráveis. Pesquisa realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em parceria com a CBIC identifica como principais entraves:
- Carga tributária elevada
- Taxas de juros ainda altas
- Custo crescente da mão de obra, tanto qualificada quanto não qualificada
O desempenho recente do setor reflete esse ambiente desafiador. Em 2025, a construção cresceu apenas 1,7% até o terceiro trimestre na comparação anual, após ter avançado 4,2% em 2024, indicando uma clara perda de ritmo ao longo do último ano.
Análise do Desempenho em 2025 e Perspectivas
O ano de 2025 foi marcado por um ambiente de juros restritivos que influenciou diretamente o desempenho do setor. Os custos da construção subiram acima da inflação geral: enquanto o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) acumulou alta de 5,92%, o IPCA ficou em 4,26%. A maior pressão veio especificamente da mão de obra, cujo custo avançou expressivos 8,98%.
Apesar desses desafios, a atividade seguiu crescendo e gerando empregos. Ao final de 2025, a construção civil empregava 2,9 milhões de trabalhadores com carteira assinada, representando um aumento de 3,08% em relação ao ano anterior. A construção de edifícios concentrou o maior número de empregados e liderou a criação de vagas formais. Entre 2020 e 2025, o setor abriu impressionantes 886.709 postos de trabalho com carteira assinada.
Os investimentos em infraestrutura também desempenharam papel crucial na sustentação da atividade. Em 2025, os aportes podem ter alcançado R$ 280 bilhões, aproximadamente 3% acima do registrado em 2024, segundo dados da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (ABDIB). Desse total, o capital privado respondeu por 84%, demonstrando a importância da participação empresarial no desenvolvimento do setor.
Alguns indicadores continuaram apresentando desempenho positivo mesmo diante das dificuldades. O consumo de cimento alcançou 66,9 milhões de toneladas em 2025, registrando alta de 3,68% frente a 2024. No entanto, a confiança dos empresários do setor recuou, conforme revelado pela sondagem setorial realizada periodicamente.