Disputa milionária atinge instituição financeira associada a investidores do bispo Edir Macedo
A crise financeira que resultou na liquidação do Banco Master e da Reag Investimentos, além do pedido de recuperação judicial da Fictor, agora se estende ao Banco Digimais, instituição vinculada a investidores próximos ao bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus e proprietário da Rede Record. Conforme revelado pela coluna do jornalista Julio Wiziack no portal UOL, o empresário Roberto Campos Marinho Filho, sócio do Digimais, está exigindo o pagamento de aproximadamente quinhentos milhões de reais da instituição bancária.
Fundo EXP 1 no centro da controvérsia
A cobrança milionária está relacionada a perdas significativas sofridas pelo fundo de investimento EXP 1, um FIDC (Fundo de Investimento em Direitos Creditórios) que foi estruturado com papéis das empresas envolvidas na crise: Banco Master, Fictor e Reag Investimentos. Segundo as informações divulgadas, o fundo teria uma composição acionária na qual o Banco Digimais detém cerca de oitenta por cento da participação, enquanto os vinte por cento restantes pertencem ao próprio Roberto Campos Marinho Filho, que também é proprietário da Yards Capital, gestora responsável pelo veículo de investimento.
O investidor alega que os ativos que serviam como garantia para o fundo sofreram uma drástica desvalorização após o agravamento da situação do Banco Master, da Fictor e da Reag, o que gerou prejuízos substanciais para os participantes. Marinho Filho sustenta que o Digimais deve ser responsabilizado financeiramente por essas perdas, culminando na exigência de quase meio bilhão de reais em indenização.
Versão contestada e acusações mútuas
O Banco Digimais, no entanto, nega veementemente a narrativa apresentada pelo sócio e apresenta uma versão completamente diferente dos fatos. A instituição financeira afirma que foi o próprio Roberto Campos Marinho Filho quem reteve, de forma irregular, cerca de oitenta e oito milhões de reais em rendimentos provenientes do fundo EXP 1, sem fornecer os devidos esclarecimentos ou prestar contas sobre o destino desses recursos.
Diante da situação, o Digimais decidiu levar a disputa para o âmbito judicial, buscando a reparação pelos valores supostamente retidos pelo sócio. A instituição alega que a retenção dos rendimentos constitui uma violação contratual e uma conduta inadequada por parte de Marinho Filho, justificando assim a ação judicial movida contra ele.
Contexto da crise e envolvimento de figuras proeminentes
Este caso ocorre em um momento de grande turbulência no setor financeiro brasileiro, marcado pela liquidação do Banco Master e da Reag Investimentos, além do pedido de recuperação judicial da Fictor. A associação do Banco Digimais com investidores ligados a Edir Macedo, uma das figuras mais influentes no cenário religioso e midiático do país, adiciona um elemento de notoriedade à disputa, atraindo ainda mais atenção pública e midiática para o desenrolar dos acontecimentos.
A complexidade da situação é evidenciada pelas alegações contraditórias das partes envolvidas, com cada lado apresentando sua própria interpretação dos fatos e responsabilizando o outro pelas perdas financeiras e supostas irregularidades. A resolução desta briga milionária, que já chegou aos tribunais, promete ser um processo longo e intricado, com potencial para gerar desdobramentos significativos no mercado financeiro e no círculo de investidores de alto escalão.



