Trump copia Haddad: EUA adotam receita fiscal similar ao Brasil para cortar déficit
Trump segue receita de Haddad para reduzir déficit fiscal

Em uma reviravolta no cenário econômico global, a estratégia fiscal do ministro da Fazenda brasileiro, Fernando Haddad, está servindo de inspiração para o governo dos Estados Unidos, comandado por Donald Trump. A política de buscar maior arrecadação tributando setores específicos, enquanto se alivia a carga para a base da pirâmide, está sendo replicada para conter o déficit americano.

Espelhamento Fiscal entre Brasil e EUA

A abordagem do ministro Haddad, que inclui maior taxação sobre operações financeiras antes isentas, mercado de apostas, sistema financeiro e os mais ricos, contrasta com o alívio para quem ganha até R$ 5 mil mensais e a reforma tributária que entra em vigor em 2027. Esse modelo chamou a atenção da equipe de Trump.

Nos Estados Unidos, uma das fontes de receita adotadas foi a imposição de tarifas sobre importações. Os números de dezembro de 2025 mostram que a tática está surtindo efeito: o déficit fiscal mensal foi de US$ 144,7 bilhões, abaixo dos US$ 155 bilhões projetados. No ano fiscal de 2025, iniciado em 1º de outubro, as receitas federais cresceram expressivos 13,1%, enquanto as despesas avançaram apenas 1,9%.

O déficit primário (que exclui os juros da dívida) também apresentou melhora significativa, recuando para US$ 727,9 bilhões no ano fiscal atual, contra US$ 865,7 bilhões no período anterior. Em comparação, o Brasil registrou, nos 12 meses até novembro, um déficit nominal de 8,13% do PIB, com o componente de juros representando 7,61% desse total. O déficit primário brasileiro ficou em 0,53% do PIB.

Cenário de Juros e Perspectivas para 2026

A consultoria 4Intelligence analisa que, após três cortes consecutivos de 25 pontos-base pelo Federal Reserve (Fed), a redução total de 75 pontos-base diminuiu o grau de restrição monetária nos EUA. Isso ocorreu mesmo com a economia americana mantendo um crescimento robusto, impulsionado por investimentos em inteligência artificial e consumo familiar resiliente.

O PIB dos EUA em 2025 superou as expectativas que existiam após o anúncio do choque tarifário em abril. O consumo se manteve, embora a criação de empregos tenha moderado – reflexo da cautela empresarial diante das incertezas das políticas de Trump. A taxa de desemprego segue subindo lentamente, mas permanece em patamar baixo.

Para a consultoria, é provável que o próximo corte de juros nos EUA só ocorra em junho, após a sucessão de Jerome Powell na presidência do Fed, marcada para maio. Essa demora explicaria a pressão pública que Trump tem exercido sobre Powell.

Impactos no Brasil: Câmbio, Inflação e Selic

No Brasil, o câmbio iniciou 2026 bem-comportado, mas terá espaço limitado para valorização devido à persistente incerteza política e fiscal. A 4Intelligence alerta que políticas para sustentar a demanda em 2026 podem tornar o ajuste fiscal de 2027 mais desafiador.

Sem a pressão baixista do câmbio, a inflação de 2026 deve ser diferente da de 2025. A consultoria projeta um IPCA de 4,4% este ano, após 4,26% em 2025. Itens como Alimentação no Domicílio, que subiram apenas 1,4% no ano passado, podem ficar 4,6% mais caros. Bens industriais teriam alta de 3,0%, e os serviços desacelerariam de 6,0% para 5,6%.

Diante desse cenário, a previsão é de que o Banco Central inicie cortes cautelosos na taxa Selic a partir de março, mantendo a política monetária em terreno ainda restritivo, porém menos do que antes. A economia brasileira deve continuar crescendo, mas em ritmo moderado e desbalanceado.

Sinal de Alerta: Falência da Saks

Em um sinal de que os juros altos dos últimos anos afetam até mesmo setores consolidados, a icônica rede de varejo de luxo Saks pediu falência nos Estados Unidos. A empresa, cuja loja na 5ª Avenida era um símbolo da riqueza americana, entrou com pedido de recuperação judicial (Chapter 11).

Segundo o Wall Street Journal, a Saks se torna a rede de departamentos de maior destaque a buscar essa proteção desde a pandemia. O desmoronamento rápido da Saks Global, formada pela fusão da Saks Fifth Avenue e da Neiman Marcus em um negócio de US$ 2,7 bilhões, demonstra os riscos do investimento em lojas de departamento tradicionais.

O plano da fusão era criar uma potência no varejo de luxo, e a economia de custos deveria ajudar a quitar dívidas com fornecedores. O episódio serve como um alerta sobre a vulnerabilidade de modelos de negócio estabelecidos em um ambiente econômico em transformação.