Petrobras cai 1% apesar de alta do petróleo; mercado reage a Venezuela
Petrobras em queda livre após operação na Venezuela

O mercado financeiro brasileiro iniciou a semana com atenção voltada para os desdobramentos geopolíticos na Venezuela, mas a reação nas cotações da Petrobras surpreendeu pela direção. Enquanto o petróleo Brent, referência para a empresa, registrava alta de 1% nesta segunda-feira, 5 de janeiro de 2026, as ações da estatal operavam em queda livre, com desvalorização ao redor de 1%.

Geopolítica versus fatores domésticos

Apesar da operação militar dos Estados Unidos no território venezuelano, que poderia gerar volatilidade nos preços do barril, o movimento foi considerado moderado por economistas. André Galhardo, economista-chefe da Análise Econômica, destacou ao programa Mercado Veja+ que a produção venezuelana, hoje em cerca de 700 mil barris diários, representa apenas 1% da oferta global de petróleo. Essa proporção limitaria impactos imediatos mais significativos nos preços internacionais.

Contudo, a pressão sobre os papéis da Petrobras veio de outro flanco. Na avaliação dos especialistas, pesou mais sobre a empresa a expectativa do mercado por um possível corte nos preços da gasolina no Brasil. Uma redução nos combustíveis poderia comprimir as margens e as receitas futuras da companhia, preocupação que se soma a outros fatores fiscais e domésticos já monitorados pelos investidores.

Perspectivas de médio e longo prazo

Para Rodrigo Marques, da Nest Asset Management, ainda é cedo para uma avaliação definitiva do cenário. As consequências, segundo ele, só devem ficar claras a médio e longo prazo, dependendo principalmente dos investimentos que os Estados Unidos decidirem fazer na indústria petrolífera da Venezuela.

Marques aponta, no entanto, uma oportunidade potencial para a Petrobras. A empresa brasileira possui expertise reconhecida mundialmente na perfuração de poços em águas profundas, como os do pré-sal. Caso haja um processo de reconstrução e modernização do setor de óleo e gás venezuelano, essa competência técnica poderia ser um trunfo valioso, abrindo portas para novos negócios e parcerias.

O contexto das grandes geradoras de riqueza

O momento de atenção sobre a Petrobras ocorre justamente quando a empresa se consolida como uma das maiores geradoras de riqueza para o país. Um estudo recente da Abrasca em parceria com a FGV listou as cinco companhias que mais contribuem nesse aspecto. Além da Petrobras, figuram no ranking a JBS, a Raizen, a Vibra e a Vale. A performance dessas gigantes é um termômetro crucial para a saúde da economia brasileira.

O episódio desta segunda-feira ilustra como a trajetória de uma empresa estatal de peso é constantemente balizada por um equilíbrio delicado. De um lado, estão os ventos da geopolítica internacional, capazes de afetar commodities. De outro, sopram os ventos das expectativas domésticas sobre preços, política econômica e o ambiente de negócios no Brasil. A reação do mercado mostrou que, neste momento, os fatores internos falaram mais alto.