Mercado reage com moderação à prisão de Maduro; petróleo sobe 1%
Mercado reage à prisão de Maduro com alta moderada do petróleo

A reabertura dos mercados financeiros nesta segunda-feira, 5 de janeiro de 2026, trouxe uma reação mais contida do que o esperado diante da notícia da prisão do presidente venezuelano, Nicolás Maduro. O episódio, amplamente noticiado, gerou um movimento moderado nos preços do petróleo e nas bolsas de valores, com destaque para o comportamento divergente entre empresas brasileiras e norte-americanas.

Petróleo com alta moderada reflete peso limitado da Venezuela

O barril de petróleo do tipo Brent operou com uma alta próxima de 1% durante a manhã. A leitura imediata do mercado foi de que o impacto do evento geopolítico seria limitado no curto prazo, uma vez que a Venezuela responde por apenas 1% da produção global de petróleo.

Para o economista André Galhardo, o movimento contido era esperado. Ele explica que, apesar das enormes reservas do país, a produção venezuelana é pequena perante o mercado mundial e a infraestrutura precária do setor limita efeitos imediatos mais significativos.

Galhardo ressalva, no entanto, um ponto de atenção para o futuro: "Um eventual reordenamento da oferta, especialmente se envolver a China, pode influenciar os preços no médio e longo prazo", destacando que as consequências podem se desdobrar com o tempo.

Bolsas de valores mostram reações opostas

Na bolsa brasileira, a B3, a reação também foi discreta. As ações da Petrobras registravam queda na abertura dos negócios. Analistas apontam que a pressão veio mais de fatores domésticos do que da geopolítica venezuelana.

Entre os motivos locais estão a expectativa de um ajuste nos preços dos combustíveis e o cenário fiscal do país, que pesaram mais na decisão dos investidores no dia.

Em um movimento oposto, o mercado de Nova York apresentou otimismo em relação a algumas empresas. As ações da gigante norte-americana Chevron subiam com força no pré-mercado.

Segundo a avaliação do analista Rodrigo Marques, essa alta representa uma aposta do mercado de que as petroleiras americanas podem se beneficiar de um possível redesenho da exploração de petróleo na região, caso haja mudanças no cenário político venezuelano.

Impactos graduais para o Brasil

Enquanto empresas dos EUA podem vislumbrar oportunidades mais diretas, os efeitos para companhias como a Petrobras tendem a ser mais graduais e transitórios, conforme analisado por especialistas. O contraste entre as duas praças financeiras reforça o cenário atual: o petróleo segue no radar dos investidores, mas com desdobramentos muito diferentes para Brasil e Estados Unidos.

O episódio envolvendo Maduro, preso em uma operação do DEA (Departamento Antidrogas dos EUA), coloca a Venezuela novamente no centro das atenções geopolíticas, mas a resposta inicial dos mercados demonstra uma avaliação pragmática sobre seu peso imediato na economia global de energia.