Dólar cai e Bolsa sobe após intervenção dos EUA na Venezuela
Mercado reage à intervenção dos EUA na Venezuela

Os mercados financeiros brasileiros apresentaram movimentos divergentes nesta segunda-feira (5), com o dólar em queda e a Bolsa de Valores em alta. O cenário foi diretamente influenciado pela intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela, ocorrida na madrugada do último sábado.

Movimentação das principais moedas e índices

A moeda norte-americana fechou o dia cotada a R$ 5,404, registrando uma queda de 0,28%. Esse movimento acompanhou a fraqueza global do dólar, refletida no índice DXY, que compara a divisa a outras seis moedas fortes e recuou 0,17%, para 98,25 pontos.

Em contrapartida, o principal índice da Bolsa brasileira, o Ibovespa, avançou 0,82%, fechando a sessão em 161.869 pontos. A alta ocorreu mesmo com a forte pressão sobre as ações da Petrobras, que chegaram a entrar em leilão nos primeiros minutos de negociação e fecharam o dia com queda de 1,6%.

O impacto da operação norte-americana no petróleo

A intervenção, descrita como a maior contra a América Latina em décadas, resultou no bombardeio da capital Caracas e na captura do ditador Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, acusados de narcoterrorismo. Em comunicado, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que o país governará a Venezuela até uma transição e que o petróleo venezuelano "voltará a fluir" sob exploração de empresas norte-americanas.

A Venezuela, dona da maior reserva de petróleo do mundo, viu sua produção despencar nos últimos anos, respondendo hoje por menos de 1% do volume global. Ainda assim, o commodity representa cerca de 90% das exportações do país, tendo a China como principal compradora.

Para David Zylbersztajn, ex-diretor-geral da ANP, o petróleo venezuelano não é crucial para a China, que pode suprir a falta sem dificuldades. Ele ainda projeta que a operação dos EUA deve aumentar a oferta global da commodity.

No mercado internacional, o Brent, referência para o petróleo, teve dia volátil. Após cair mais de 1% no início das negociações, recuperou-se e fechou em alta de 1,66% na Bolsa de Londres, cotado a US$ 61,76. A decisão da Opep+ de manter a produção estável no domingo também influenciou os preços.

Repercussões nas empresas e na percepção de risco

As petrolíferas norte-americanas com exposição ao caso tiveram desempenho positivo. As ações da Chevron, única grande empresa dos EUA que opera atualmente na Venezuela, subiram 5%. As refinarias Phillips 66 e PBF Energy avançaram 7% e 3%, respectivamente.

No Brasil, a queda da Petrobras e de outras empresas do setor reflete a preocupação com o aumento da concorrência no mercado latino-americano. "Principalmente se as empresas americanas ganharem espaço por aqui, como parece ser o plano dos EUA", analisa Ian Lopes, economista da Valor Investimentos.

A situação adiciona um componente de incerteza para a região. "Não é algo que muda o fundamento do mercado brasileiro, mas aumenta a percepção de risco para a América Latina", avalia Thiago Azevedo, sócio fundador da Guardian Capital.

Próximos passos para os mercados

Os investidores agora voltam sua atenção para indicadores econômicos. A divulgação do IPCA de dezembro e dos dados do mercado de trabalho dos Estados Unidos, ambos na sexta-feira (9), serão cruciais para antecipar a trajetória dos juros.

Além disso, o mercado aguarda a definição sobre quem será o sucessor de Jerome Powell como presidente do Federal Reserve (Fed), o banco central norte-americano.

Pedro Moreira, sócio da ONE Investimentos, acredita que, até a retomada da agenda de dados econômicos e das movimentações políticas no Brasil, o mercado deve operar de forma mais neutra, sem grande volatilidade neste início de ano.

Vale lembrar que, em 2025, o dólar acumulou queda de 11,19%, a maior desde 2016. Já o Ibovespa valorizou-se 33,7% no ano, também o melhor desempenho desde 2016, impulsionado por um forte fluxo de recursos estrangeiros para os mercados emergentes.