Itaú lucra R$ 12,3 bilhões no 1º trimestre com inadimplência em baixa
Itaú lucra R$ 12,3 bi no 1º trimestre de 2026

O Itaú Unibanco, maior banco privado do Brasil, registrou lucro recorrente gerencial de R$ 12,282 bilhões no primeiro trimestre de 2026, com leve redução de 0,3% em relação ao trimestre anterior. Na comparação com o mesmo período de 2025, o crescimento foi de 10,4%. O resultado foi impulsionado pela queda da inadimplência, que atingiu o menor nível entre os grandes bancos do país.

Desempenho financeiro e retorno sobre patrimônio

Sem a distribuição antecipada de dividendos realizada no final de 2025, o lucro recorrente gerencial teria alcançado R$ 12,7 bilhões, um aumento trimestral de 3,2%. O retorno recorrente gerencial sobre o patrimônio líquido consolidado, que inclui as operações na América Latina, ficou em 24,8%. Já nas operações exclusivamente no Brasil, o retorno foi ainda maior, atingindo 26,4%.

As provisões para devedores duvidosos somaram R$ 9,952 bilhões, um acréscimo de 2,5% sobre o último trimestre de 2025 e de 4,5% sobre o primeiro trimestre do ano anterior. Esse aumento reflete a necessidade de provisionamento para créditos de maior risco.

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Inadimplência: a menor entre os grandes bancos

O Itaú apresentou o menor índice de inadimplência (atrasos acima de 90 dias) entre os grandes bancos brasileiros. Na média, a carteira de crédito do banco fechou março com 1,9% de atrasos no Brasil. Entre as grandes empresas, a inadimplência foi de apenas 0,1%, enquanto as pequenas e médias empresas registraram 1,9% de atrasos. As pessoas físicas, que representam 38,7% da carteira total de empréstimos (R$ 479 bilhões, alta de 6,8%), também apresentaram inadimplência controlada.

A carteira total de crédito do Itaú atingiu R$ 1,237 trilhão, um crescimento de 7,8% em relação ao mesmo período de 2025. As maiores exposições entre pessoas físicas estão no cartão de crédito e no crédito imobiliário, segmentos nos quais o banco mantém índices de inadimplência inferiores à média do mercado.

Programa Desenrola e renegociação de dívidas

O programa Desenrola, que prevê o perdão de até 90% dos juros de dívidas que somam R$ 100 bilhões, tem permitido aos bancos recuperar créditos que antes exigiriam provisões. Com isso, as instituições podem oferecer descontos significativos e transformar perdas potenciais em lucros. O programa abrange dívidas de pessoas físicas, pequenas e microempresas, além da agricultura familiar.

Impacto nos resultados dos bancos

O Itaú tem se beneficiado do programa, que reduz a necessidade de provisionamento e aumenta a recuperação de créditos. Os resultados do Bradesco, que serão divulgados em 6 de maio, devem ajudar a dimensionar os ganhos do setor com o Desenrola. Sem uma solução para os devedores, as dívidas se tornavam impagáveis devido a juros que chegavam a 882,34% ao ano no crédito pessoal não consignado e 930,77% ao ano em algumas financeiras.

A Resolução 4.966, em vigor desde janeiro de 2025, determina que as instituições financeiras só podem renegociar uma vez operações com mais de 90 dias de atraso, sob pena de baixar provisões. Com o Desenrola, o que era prejuízo virtual pode ser regularizado, transformando perdas em lucros. Assim, os devedores podem obter descontos significativos, enquanto os bancos recuperam créditos e melhoram seus resultados.

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