Ibovespa cai 0,28% com tensões EUA-Groenlândia e projeção de inflação em 4,02% para 2026
Ibovespa fecha em queda com tensões geopolíticas e Focus

O principal índice da bolsa de valores brasileira, o Ibovespa, encerrou a sessão desta segunda-feira, 19 de janeiro de 2026, em terreno negativo. O fechamento foi marcado por 164.806 pontos, refletindo uma queda diante do cenário de incertezas geopolíticas globais e da divulgação de novas projeções econômicas pelo mercado financeiro.

Geopolítica e ameaças de Trump pressionam o mercado

O ambiente de risco foi amplificado pelas declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que voltou a ameaçar anexar a Groenlândia ao território americano. Em seu segundo mandato, Trump classificou a ilha como "vital" para o chamado "Domo de Ouro", um sistema antimísseis que pretende construir. Apesar de os EUA já manterem uma base militar na região, a presença foi reduzida nos últimos anos, tornando a retórica agressiva um foco de tensão internacional.

Essas ameaças geopolíticas afetaram não apenas o mercado brasileiro, mas também as bolsas europeias, que fecharam majoritariamente em queda. Segundo Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, "a retórica da Casa Branca afetou as bolsas europeias... porém, o movimento não se traduziu em busca por proteção na moeda americana".

Boletim Focus revisa inflação para 2026 e mantém crescimento

Em meio à turbulência externa, o Banco Central divulgou o Boletim Focus, que trouxe uma revisão nas expectativas do mercado. A projeção para a inflação oficial, medida pelo IPCA, em 2026 recuou de 4,05% para 4,02%. Já a perspectiva para o crescimento da economia brasileira no mesmo ano se manteve estável, em alta de 1,80%.

Para os outros indicadores, os analistas consultados não fizeram alterações. A estimativa para a cotação do dólar ao final de 2026 segue em R$ 5,50, enquanto a expectativa para a taxa básica de juros, a Selic, é de um recuo para 12,25% ao ano no mesmo período.

Desempenho dos bancos e dólar estável

No pregão de São Paulo, o setor bancário apresentou desempenho misto. Destaque positivo ficou com as ações do Santander (SANB11), que subiram 0,45%. Por outro lado, os papéis de outros grandes bancos fecharam no vermelho:

  • Bradesco (BBDC4): queda de 0,05%
  • Itaú (ITUB4): recuo de 0,07%
  • Banco do Brasil (BBAS3): queda de 0,28%

O câmbio teve um dia de poucos movimentos. O dólar comercial encerrou a sessão praticamente estável, cotado a R$ 5,36. Shahini, da Nomad, atribuiu esse comportamento a um ambiente de liquidez reduzida e baixa amplitude, influenciado também pelo feriado bancário nos Estados Unidos, o que favoreceu movimentos técnicos.

O dia reforçou a sensibilidade do mercado financeiro brasileiro a eventos internacionais, mostrando como tensões políticas distantes podem impactar os negócios locais, mesmo com indicadores econômicos domésticos apresentando certa estabilidade nas projeções de longo prazo.