O Ibovespa, principal indicador do mercado acionário brasileiro, encerrou a sessão desta terça-feira, 6 de janeiro de 2026, em forte alta, superando a marca dos 163 mil pontos. O desempenho positivo foi puxado, em grande parte, pela valorização expressiva das ações da mineradora Vale, que reagiram ao bom momento do minério de ferro no cenário internacional.
Cenário Externo e Expectativas Domésticas Impulsionam Bolsa
Apesar de um noticiário marcado por tensões geopolíticas, incluindo ameaças dos Estados Unidos à Venezuela e oscilações no preço do petróleo, o mercado financeiro brasileiro focou em fatores mais otimistas. Analistas apontam que a perspectiva de um futuro corte na taxa de juros pelo Banco Central tem sido um combustível para os ganhos na bolsa.
"O país está chegando cada vez mais perto de um potencial corte de juros. Quanto mais perto de março e abril, mais vamos ver essas altas acontecendo no índice", afirmou Patrick Buss, operador de renda variável da Manchester Investimentos. Além disso, um ambiente externo favorável a ativos de risco, mesmo com liquidez reduzida, deu suporte ao movimento.
Vale Brilha com Alta do Minério, Petrobras e Bancos no Radar
O grande destaque do pregão foi a performance da Vale (VALE3). As ações da gigante da mineração dispararam 3,76%, acompanhando de perto a valorização do minério de ferro nos mercados globais. Esse movimento foi fundamental para sustentar a alta do índice principal.
Em contrapartida, as ações da Petrobras (PETR4) seguiram no campo negativo, fechando em queda de 1,85%. A pressão veio do recuo de aproximadamente 2% no preço do barril de petróleo Brent, que foi cotado a 60,5 dólares, refletindo os impactos do conflito entre EUA e Venezuela.
O setor bancário, que possui grande peso no Ibovespa, operou majoritariamente no azul:
- Banco do Brasil (BBAS3): alta de 1,10%
- Itaú (ITUB4): ganhos de 1,60%
- Bradesco (BBDC4): subiu 0,58%
- Santander (SANB11): leve queda de 0,06%
Dólar em Baixa e Balança Comercial Histórica
Enquanto a bolsa subia, o dólar comercial apresentou movimento contrário, fechando o dia em baixa, negociado a R$ 5,37. O dia também foi marcado pela divulgação de um dado econômico relevante: a balança comercial de 2025 registrou o maior volume de exportações da série histórica.
As vendas externas brasileiras cresceram 3,5% no ano, somando a cifra impressionante de 348,7 bilhões de dólares. Esse resultado positivo conseguiu superar desafios como o "tarifaço" imposto pelos Estados Unidos, que posteriormente foi amenizado, e outras adversidades do cenário internacional.
O fechamento do Ibovespa em 163,6 mil pontos, com uma valorização de 1,11%, demonstra um mercado que, ao menos no curto prazo, está conseguindo equilibrar os riscos geopolíticos com as expectativas positivas sobre a política monetária doméstica e o desempenho de commodities-chave como o minério de ferro.