Pesquisa BTG/Nexus: 73% aprovam fim da taxa das blusinhas; economista comenta
73% aprovam fim da taxa das blusinhas, aponta pesquisa BTG/Nexus

A mais recente pesquisa BTG Nexus revelou um cenário positivo para o governo federal, tanto no âmbito político quanto na percepção econômica. Os dados indicam que a avaliação negativa da economia caiu de 48% para 48% entre abril e maio, enquanto a avaliação positiva subiu dois pontos percentuais. Na situação financeira pessoal, os entrevistados que consideram o momento como ótimo ou bom passaram de 31% para 34%, enquanto os que veem cenário ruim ou péssimo recuaram de 22% para 20%.

Aprovação do fim da taxa das blusinhas

A pesquisa também destaca que 73% dos entrevistados aprovam a retirada da chamada taxa das blusinhas. Metade dos participantes afirmou ter realizado compras internacionais nos últimos 12 meses. Apesar disso, corrupção, saúde e segurança continuam sendo as maiores preocupações do eleitorado, enquanto desemprego, inflação e impostos aparecem em posições inferiores na lista.

Estratégia de apelo popular do governo Lula

A economista Laura Pacheco avalia que o governo tem implementado uma estratégia eficiente ao focar em pautas de grande apelo popular. "Eu vejo que ele está cumprindo com muita maestria essa agenda pré-eleitoral", afirmou. Segundo ela, há uma preocupação clara em consolidar medidas que gerem impacto imediato na sensação de renda, emprego e qualidade de vida da população, especialmente entre os eleitores de maior peso numérico.

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Escala 6x1, imposto de renda e programas sociais

Laura observa que o presidente Lula compreende bem o funcionamento desse eleitorado mais amplo. "O presidente Lula olha para a grande população, para a maioria da população… ele sabe se projetar muito bem para esse número de eleitores", disse. Para ela, decisões envolvendo a escala 6x1, o Imposto de Renda e programas sociais ajudam a consolidar uma percepção positiva, pois atingem diretamente temas sensíveis no orçamento das famílias. "São coisas que falam para a grande massa da população", resumiu.

Intenções de voto e vantagem de Lula

O levantamento mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva com 40% das intenções de voto no primeiro turno, contra 35% de Flávio Bolsonaro. Em simulação de segundo turno, Lula aparece com 47%, enquanto Flávio soma 43%. O aumento da vantagem do presidente sobre Flávio ocorre após o vazamento do áudio do senador ao banqueiro Daniel Vorcaro, mas especialistas esperavam números mais robustos a favor do presidente.

Problemas fiscais e sustentabilidade

A economista faz uma ressalva importante sobre a sustentação fiscal dessa melhora de percepção. Segundo Laura, parte desse movimento ocorre por meio de remanejamentos orçamentários que ainda apresentam baixa fiscalização e pouca rigidez sobre a aplicação dos recursos públicos. "Até que ponto existe um compliance, uma fiscalização relacionada aos benefícios?", questionou. Na visão dela, o país ainda falha em monitorar de forma mais eficiente o destino do dinheiro público e os impactos reais desses programas no médio prazo.

Sensação positiva pode não se sustentar

Laura também alerta para o risco de uma sensação econômica positiva que não se sustenta estruturalmente. Para ela, crescimento do PIB, ampliação do consumo e queda do desemprego podem perder força rapidamente se a inflação continuar corroendo o poder de compra da população. "Do que adianta a gente ter crescimento econômico e cada dia mais o nosso dinheiro estar valendo menos?", afirmou. A economista avalia que parte da melhora percebida hoje pode ser artificial se não houver maior controle sobre gastos públicos e sobre as causas mais profundas da inflação.

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