Os mercados financeiros europeus iniciaram a semana sob forte pressão após uma nova ameaça do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O mandatário americano voltou a utilizar as tarifas de importação como instrumento de pressão geopolítica, desta vez mirando oito países da Europa.
Ameaça Tarifária e a Questão da Groenlândia
Sob a justificativa de uma disputa pelo controle da Groenlândia, Trump anunciou uma nova rodada de sobretaxas para produtos europeus. Um adicional inicial de 10% está previsto para entrar em vigor já em fevereiro de 2026, com uma escalada drástica programada para junho do mesmo ano, quando a alíquota saltaria para 25%.
As medidas, caso se concretizem, atingiriam diretamente Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Holanda e Finlândia. A reação imediata dos mercados foi negativa, com as principais bolsas europeias registrando quedas superiores a 1% nesta segunda-feira, 19 de janeiro.
Retaliação Europeia e Busca por Negociação
Em resposta à provocação norte-americana, a União Europeia não ficou parada. Durante o final de semana, o bloco preparou um plano de retaliação que envolveria a imposição de tarifas sobre produtos americanos no valor impressionante de 93 bilhões de euros.
No entanto, a postura oficial europeia ainda prioriza a via diplomática. As autoridades do bloco afirmam preferir negociar uma solução para o conflito, em vez de escalar as tensões. A condição fundamental para um acordo, porém, é a proteção da Groenlândia e o afastamento das ambições territoriais de Trump sobre a ilha. Analistas consideram complexo imaginar um caminho viável para negociações neste cenário de pressão extrema.
Contexto dos Mercados e Dados da China
O impacto da notícia nos mercados globais foi parcialmente atenuado pelo feriado nos Estados Unidos, em celebração ao Dia de Martin Luther King Jr. Com as bolsas americanas fechadas, o volume de negócios em outros mercados, incluindo o brasileiro, tendeu a ser menor.
Paralelamente, os investidores ainda digeriam os dados do Produto Interno Bruto (PIB) da China referentes a 2025. O governo chinês anunciou um crescimento anual de 5%, atingindo a meta oficial estabelecida. Contudo, o número esconde uma desaceleração econômica observada no último trimestre do ano. Entre outubro e dezembro, o PIB chinês avançou a uma taxa anualizada de 4,5%, desempenho ligeiramente acima das expectativas do mercado, que eram de 4,4%.
A agenda econômica desta segunda-feira também incluiu a divulgação da inflação da Zona do Euro referente a dezembro e a publicação do Relatório Focus pelo Banco Central do Brasil (BC). Enquanto isso, em Davos, na Suíça, ocorre o Fórum Econômico Mundial, palco de discussões sobre a economia global em um momento de novas incertezas.