Preço do petróleo dispara com indefinição nas negociações entre EUA e Irã
Petróleo dispara com impasse EUA-Irã

Disparada do petróleo com tensão geopolítica

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A falta de definição nas negociações entre Estados Unidos e Irã para encerrar o conflito provocou uma nova disparada no preço do petróleo nesta quarta-feira (29). O barril do tipo Brent, referência mundial, registrou alta de 6,32%, chegando a US$ 111,50 (R$ 555,63), o maior valor desde 7 de abril, quando foi negociado a US$ 111,80.

O contrato com entrega prevista para julho abriu a sessão em torno de US$ 104, começou a subir às 3h30 (horário de Brasília) e atingiu o pico às 14h, quando alcançou US$ 111,50. Por volta das 15h, o Brent era vendido a US$ 110,23 (R$ 549,44), uma alta de 5,67%. Já o contrato de junho atingiu US$ 119,76 (R$ 596,79), mas é menos negociado que o de julho, que se tornou a referência do mercado.

O barril do tipo WTI (West Texas Intermediate), utilizado nos Estados Unidos, chegou a US$ 107,65 (R$ 536,44) para entrega em junho, que é o contrato mais negociado para esse produto. O contrato de julho estava cotado a US$ 100,81 às 12h46.

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Ameaças de Trump ao Irã

As negociações reagiram às novas ameaças do presidente dos EUA, Donald Trump, ao Irã para que encerre o bloqueio no estreito de Hormuz, por onde passa 20% da produção mundial de petróleo e gás. “O Irã não consegue se organizar. Eles não sabem como assinar um acordo não nuclear. Melhor eles ficarem espertos logo!”, postou o republicano, nesta quarta, em sua rede Truth Social, ao lado de uma imagem gerada por inteligência artificial em que aparece de óculos escuros, com um fuzil e a mensagem: “O Senhor Bonzinho Acabou”.

A reação de Trump ocorre um dia após o Irã apresentar uma nova proposta para um acordo de paz, na qual estabelece limites para manter seu programa nuclear e o controle sobre o tráfego em Hormuz. De acordo com o jornal The Wall Street Journal, o presidente dos EUA já teria instruído sua equipe para se preparar para a continuidade dos ataques por um período prolongado. A intenção do mandatário é manter a tática de estrangulamento da economia iraniana, com a permanência do bloqueio aos navios que saem do Irã e tentam acessar o estreito de Hormuz. Com isso, os iranianos não conseguem exportar petróleo, perdem parte significativa de suas receitas e seriam obrigados a recuar de suas exigências, aceitando o que está sendo exigido pelos EUA.

O porta-voz do Ministério da Defesa iraniano, Reza Talaei-Nik, afirmou que Washington “deve abandonar suas exigências ilegais e irracionais”. “Os Estados Unidos já não estão em condições de ditar sua política às nações independentes”, declarou, segundo a televisão estatal do país.

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, qualificou a oferta iraniana como “melhor” do que esperavam, mas questionou se os autores dela tinham autoridade para negociá-las, devido aos assassinatos de várias lideranças do regime local em ataques de Israel e EUA. “Eles são negociadores muito bons”, disse Rubio, acrescentando que qualquer acordo final deve ser um “que definitivamente os impeça de partir para uma arma nuclear”.

Bolsas europeias caem e asiáticas sobem

As Bolsas da Europa fecharam em queda nesta terça, com os investidores atentos à indefinição das negociações de paz no Oriente Médio. O índice Euro STOXX 600, referência na União Europeia, caiu 0,6%, seguido por Frankfurt (-0,31%), Londres (-1,16%), Paris (-0,39%), Madri (-0,62%) e Milão (-0,51%).

Nos EUA, os três principais índices também registraram baixa. Dow Jones desvalorizava 0,62% às 14h55, S&P caía 0,14% e Nasdaq perdia 0,21%.

Já as Bolsas na China tiveram performance oposta e foram impulsionadas pelo bom desempenho das ações de terras raras e empresas de baterias elétricas, que subiram mais de 5%. O índice CSI300, que reúne as principais empresas em Xangai e Shenzhen, avançou 1,1%, e o SSEC, em Xangai, ganhou 0,71%. As Bolsas de Hong Kong e Seul também subiram 1,68% e 0,75%, respectivamente, enquanto Tóquio ficou fechado em virtude de feriado.

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