Petróleo venezuelano sobe modestamente após prisão de Maduro
Petróleo da Venezuela testa mercado após prisão de Maduro

Os mercados financeiros globais começaram a digerir os desdobramentos políticos na Venezuela, após o terceiro dia da prisão do presidente Nicolás Maduro. A reabertura das bolsas asiáticas ocorreu sem grandes turbulências, em uma primeira sessão que refletiu a cautela dos investidores diante do evento.

Impacto limitado no preço do petróleo

O barril de petróleo registrou uma alta modesta nesta segunda-feira, 5 de janeiro de 2026. A movimentação discreta espelha uma avaliação do mercado sobre o peso real da Venezuela no cenário energético mundial. Atualmente, o país produz cerca de 700 mil barris por dia, um volume que representa aproximadamente 1% da produção global.

Para efeito de comparação, o Brasil, um dos grandes players do setor, extrai perto de 5 milhões de barris diários. Essa disparidade ajuda a explicar por que a crise política venezuelana, por mais grave que seja, não provoca um choque imediato nos preços internacionais do óleo.

As intenções claras de Donald Trump

Se havia incertezas sobre os objetivos da administração americana, elas foram dissipadas pelo próprio presidente Donald Trump. Em declarações a jornalistas, Trump deixou evidente que o alvo central das ações é o petróleo venezuelano, mesmo mantendo o discurso público focado no combate ao narcotráfico.

O mandatário americano afirmou que o tráfico marítimo de drogas caiu 97% após operações no Caribe no segundo semestre e sinalizou uma mudança de tática. "A atuação americana agora deve avançar por terra", indicou, sugerindo um novo front na pressão sobre o regime.

Reação cautelosa na política interna venezuelana

Do lado venezuelano, o tom adotado pelas autoridades remanescentes foi de moderação. Após uma reunião do Conselho de Ministros, a vice-presidente Delcy Rodríguez declarou esperar por cooperação entre Venezuela e Estados Unidos.

Analistas alertam, porém, que os discursos oficiais exigem uma leitura atenta das entrelinhas. As narrativas são frequentemente voltadas para as bases eleitorais e moldadas pela pressão das redes sociais, criando um pano de fundo de alerta máximo.

O temor de um "próximo alvo" na América Latina

A postura agressiva de Trump gerou apreensão além das fronteiras venezuelanas. Mesmo líderes regionais que celebraram a prisão de Maduro observam com preocupação a escalada da atuação americana na América Latina.

Em uma coletiva de imprensa recente a bordo do Air Force One, o presidente americano não poupou ameaças. Ele mencionou a Colômbia, citou Cuba e expressou preocupação com a situação do México.

Nos bastidores do poder e dos mercados, uma pergunta direta começa a circular entre líderes políticos e investidores: haverá um próximo alvo? E, se a resposta for afirmativa, a questão que segue é ainda mais inquietante: quem será?.

O episódio venezuelano se transformou, assim, em um teste de nervos para os mercados e um termômetro das intenções geopolíticas dos Estados Unidos na região, com o petróleo permanecendo no centro das atenções e das estratégias.