O Comitê de Política Monetária (Copom) anunciou nesta quarta-feira (18) uma decisão que, à primeira vista, poderia trazer alívio para o bolso dos brasileiros: a redução da taxa básica de juros da economia, a Selic, de 15% para 14,75% ao ano. No entanto, essa pequena queda não é suficiente para mudar um cenário desafiador e persistente para quem sonha em adquirir a casa própria. O crédito continua caro e o financiamento imobiliário permanece menos acessível, pressionando as famílias a buscarem alternativas mais estruturadas e previsíveis.
Juros elevados encarecem o sonho da casa própria
Com a Selic ainda em um patamar elevado, os bancos tendem a praticar taxas de juros altas nos empréstimos, o que impacta diretamente o custo do financiamento habitacional. Esse cenário faz com que as parcelas mensais se tornem mais pesadas e, principalmente, eleva de forma significativa o valor total pago pelo imóvel ao longo dos anos. No financiamento tradicional, a incidência de juros compostos ao longo da dívida pode aumentar drasticamente o custo final, tornando a aquisição menos vantajosa financeiramente.
Consórcio ganha espaço como alternativa sem juros
Diante dessa realidade, cresce expressivamente o número de brasileiros que estão adiando o financiamento bancário e migrando para o sistema de consórcios. Diferente do crédito imobiliário, o consórcio não cobra juros, apenas uma taxa de administração que é diluída ao longo do prazo do contrato. Isso traz uma previsibilidade muito maior para o planejamento financeiro das famílias, eliminando a pressão dos juros acumulados.
Dados da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC) mostram que esse movimento já se reflete fortemente no mercado. O sistema de consórcios como um todo deve crescer aproximadamente 11% em 2026, após um ano recorde em 2025, quando ultrapassou a marca de 5 milhões de adesões. No segmento imobiliário específico, o avanço é ainda mais impressionante: os consórcios de imóveis registraram um crescimento de 48,4% em 2025 e a expectativa é de que sigam em expansão contínua.
Mudança no comportamento do consumidor
Para Fernando Gianjiope, CEO da Porto Vale, maior corretora de consórcios e seguros do país, o cenário de juros elevados tem acelerado uma mudança profunda no comportamento do consumidor brasileiro. “O ponto crucial não é apenas o valor da parcela mensal, mas sim o custo total ao longo dos anos. No financiamento, esse peso financeiro cresce exponencialmente com o tempo devido aos juros. O consórcio se destaca porque permite iniciar esse planejamento já com muito mais previsibilidade, sem a pressão dos juros compostos”, explica o executivo.
Essa transição também está ligada a uma evolução no perfil do consumidor, que está cada vez mais orientado para o planejamento financeiro de longo prazo e menos disposto a assumir custos elevados e imprevisíveis. “O consórcio também traz uma vantagem importante ao oferecer mais autonomia na decisão de compra. O cliente não fica preso ao momento específico do crédito e consegue escolher quando faz mais sentido adquirir o imóvel, o que é decisivo em um cenário econômico mais restritivo”, complementa Gianjiope.
Demanda por consultoria especializada aumenta
Nesse contexto de migração para os consórcios, amplia-se também a busca por empresas que possam auxiliar o consumidor a estruturar melhor essa decisão ao longo do tempo. A Porto Vale, por exemplo, está inserida nesse cenário ao atuar com uma abordagem consultiva, que inclui a leitura detalhada do perfil financeiro do cliente e o acompanhamento personalizado em toda a jornada – desde a escolha do plano ideal até o momento da contemplação.
O avanço dos consórcios imobiliários reforça sua relevância como uma alternativa viável e estratégica para a aquisição da casa própria, especialmente em períodos de crédito caro e incertezas econômicas. Enquanto a Selic permanecer em patamares elevados, essa tendência deve se consolidar ainda mais no mercado brasileiro.



