Willbank: Clientes sem investimentos não têm cobertura do FGC após liquidação
Willbank: Clientes sem investimentos fora do FGC

Willbank é liquidado: Clientes sem investimentos ficam fora da proteção do FGC

O Banco Central anunciou nesta quinta-feira (22) os detalhes do ressarcimento para os clientes do Willbank, após a decisão de liquidação do banco digital. A instituição, que pertencia ao conglomerado Master, foi considerada insolvente, sem alternativas para reestruturação, principalmente por não honrar pagamentos devidos à Mastercard, operadora de cartões de crédito.

Impacto imediato nas transações dos clientes

Com a liquidação, os quase seis milhões de clientes do Willbank enfrentam bloqueios totais em suas operações financeiras. Todas as transações, incluindo compras, transferências, pagamentos via Pix e movimentações de conta, foram suspensas. Os cartões de crédito emitidos pelo banco também deixaram de funcionar, mas isso não isenta os titulares de suas obrigações.

As faturas e dívidas contraídas antes da liquidação permanecem válidas e devem ser pagas normalmente. Clientes que não cumprirem os pagamentos estarão sujeitos a consequências padrão, como acúmulo de juros e inclusão do nome em cadastros de inadimplentes. Para aqueles que parcelaram compras, as faturas continuarão a ser emitidas, pois o liquidante indicado pelo BC assumirá o controle do Willbank até a conclusão do processo.

Ressarcimento diferenciado para contas de pagamento

Uma das principais preocupações dos clientes é a devolução dos valores depositados. Como o Willbank operava como uma financeira, oferecia contas de pagamento pré-pagas, e não contas correntes tradicionais. Nessa modalidade, o banco era obrigado a depositar diariamente os recursos dos clientes em uma conta própria no Banco Central.

Devido a essa característica, o ressarcimento não será realizado pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC), mas sim pela própria Willbank, utilizando os recursos depositados no BC. Segundo as regras, não há limite de valor por cliente para essa restituição. No entanto, os titulares devem aguardar as instruções que serão divulgadas pelo liquidante para receber seus dinheiros de volta.

Proteção do FGC para investidores

Em contraste, clientes que tinham investimentos em produtos como CDBs no Willbank serão cobertos pelo FGC. Este fundo, custeado por instituições financeiras, garante ressarcimento em casos de liquidação, com um limite de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ.

Os investidores já podem iniciar o processo de solicitação através do aplicativo do FGC, mas o pagamento efetivo depende de levantamentos realizados pelo liquidante. O prazo estimado para a conclusão é de dois meses em média, com um valor total superior a R$ 6 bilhões envolvido na operação.

Conclusão e próximos passos

A liquidação do Willbank marca um episódio significativo no setor bancário digital brasileiro, destacando a importância de entender as diferenças entre contas de pagamento e investimentos. Enquanto milhões aguardam a devolução de seus depósitos, o Banco Central e o liquidante trabalham para minimizar os impactos e garantir transparência no processo.