Estudo: apenas 13% dos e-mails são escritos por pessoas; automação domina
Só 13% dos e-mails são escritos por pessoas, diz estudo

O e-mail, uma das ferramentas mais antigas da internet, deixou de ser majoritariamente um espaço de comunicação entre pessoas. Hoje, a maior parte das mensagens que circulam pelo sistema é gerada automaticamente por empresas, plataformas digitais, sistemas de segurança e campanhas de marketing. Um levantamento da empresa de hospedagem Hostinger, baseado na análise de cerca de 1 bilhão de mensagens, aponta que apenas 13% do tráfego global de e-mails teria origem em comunicações feitas diretamente por usuários humanos.

O restante é composto por notificações automáticas, recibos de compra, alertas de serviços, campanhas promocionais e tentativas de fraude digital. O dado ajuda a dimensionar uma transformação silenciosa na forma como o correio eletrônico passou a funcionar nas últimas décadas. Criado nos anos 1970 como ferramenta de troca de mensagens entre indivíduos, o e-mail se tornou, para empresas e plataformas, uma infraestrutura operacional usada para autenticação de contas, logística de vendas, marketing digital e monitoramento de serviços.

Caixa de entrada virou centro operacional

Na prática, a caixa de entrada moderna é menos um espaço de conversa e mais um painel de atividades digitais. Confirmações bancárias, códigos de autenticação, avisos de assinatura, mudanças em aplicativos, cobranças, newsletters e alertas de segurança ocupam hoje grande parte da rotina dos usuários.

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A mudança acompanha a expansão da chamada economia da automação. Segundo estudos do setor de tecnologia e marketing digital, empresas dependem cada vez mais de sistemas automatizados para relacionamento com clientes, suporte, vendas e retenção de usuários. Esse movimento também alterou a lógica da comunicação corporativa. Em vez de mensagens produzidas manualmente, softwares acionam envios em tempo real a partir de gatilhos específicos, como abandono de carrinho em e-commerce, alteração de senha, renovação de assinatura ou atualização de pedido.

Mais da metade das mensagens é barrada antes da entrega

O volume crescente de automação trouxe outro fenômeno: o aumento dos mecanismos de filtragem. Segundo a pesquisa da Hostinger, cerca de 56,1% dos e-mails enviados globalmente são bloqueados antes mesmo de chegar ao destinatário final. Parte relevante dessas mensagens é associada a spam, phishing, redes automatizadas de fraude e campanhas maliciosas operadas por botnets. Relatórios de empresas de segurança digital como Cisco, Google e Cloudflare já vêm apontando há anos o crescimento do uso de inteligência artificial e automação em ataques por e-mail.

Mas nem todo bloqueio envolve crime cibernético. Mensagens legítimas também acabam retidas por falhas técnicas ligadas à autenticação de domínio. Protocolos como SPF, DKIM e DMARC, usados para verificar a identidade dos remetentes, se tornaram essenciais para determinar se um e-mail será aceito pelos provedores. Na prática, a infraestrutura técnica passou a pesar tanto quanto o conteúdo da mensagem.

Marketing digital enfrenta saturação

O avanço da automação também pressiona estratégias tradicionais de marketing por e-mail. No Brasil, um dos maiores mercados digitais da América Latina, empresas continuam investindo fortemente em campanhas automatizadas de relacionamento e vendas. Mas o excesso de disparos e a competição por atenção reduziram a eficácia de práticas baseadas apenas em volume de envio.

Rafael Hertel, diretor da Hostinger no Brasil, afirma que filtros de reputação e sistemas de segurança passaram a ter influência crescente sobre o alcance das campanhas. Segundo ele, empresas que dependem de envios massivos sem segmentação enfrentam risco maior de perder relevância ou de terem mensagens classificadas como ruído pelos provedores. A discussão ocorre em um momento em que plataformas digitais e ferramentas de inteligência artificial aceleram a produção automatizada de conteúdo, ampliando preocupações sobre saturação informacional e perda de autenticidade nas comunicações online.

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O futuro do e-mail pode depender da confiança

Especialistas em comunicação digital avaliam que a próxima disputa do e-mail não será apenas tecnológica, mas também reputacional. Em um ambiente inundado por mensagens automáticas, confiança do remetente, personalização e qualidade do relacionamento tendem a ganhar peso crescente. O paradoxo é que, num sistema desenhado para facilitar comunicação em escala, uma mensagem escrita por uma pessoa real pode estar se tornando um recurso cada vez mais raro.