A Petrobras anunciou nesta sexta-feira, 1º de maio, um novo reajuste no preço do Querosene de Aviação (QAV) produzido em suas refinarias. O aumento é de 18%, equivalente a R$ 1 por litro, e já está em vigor. Este é o segundo reajuste desde o início da guerra no Irã, no final de fevereiro, que elevou o preço do barril de petróleo no mercado internacional.
Contexto do reajuste
De acordo com a Petrobras, o novo valor pode ser parcelado pelas distribuidoras e compradores, medida já adotada desde o início do conflito. Diferentemente da gasolina e do diesel, cujos preços são ajustados conforme o mercado, o QAV tem revisão mensal, sempre no início do mês, conforme contratos da estatal com o setor. Em abril, a empresa já havia aplicado um aumento de 55% no combustível.
“Essa metodologia de precificação, vigente há mais de 20 anos, permite o equilíbrio de preços entre os mercados nacional e internacional, ao mesmo tempo que atua como um amortecedor de curto prazo”, explicou a Petrobras em nota. “Nos principais mercados internacionais, onde os preços são ajustados com maior frequência, os reajustes recentes foram superiores aos observados no Brasil.”
Parcelamento para amenizar crise
Assim como no aumento de abril, a Petrobras oferece a opção de parcelar o reajuste em seis vezes, com carência até julho de 2026. A medida, segundo a companhia, “visa preservar a demanda pelo produto e mitigar os efeitos do reajuste no setor de aviação brasileiro, assegurando o bom funcionamento do mercado”.
Impacto nas passagens aéreas
Economistas alertam que os reajustes nas refinarias devem refletir nos preços das passagens aéreas já em maio. Dados do IPCA-15, prévia da inflação de abril medida pelo IBGE, mostram que as passagens aéreas tiveram queda de 14,3% no período entre 16 de março e 15 de abril. No entanto, Luciana Rabelo, economista do Itaú, explica que essa redução é metodológica: o IBGE coleta preços com dois meses de antecedência, ou seja, os valores de abril refletem pesquisas de fevereiro e março, antes dos choques do petróleo. “Em maio, as passagens aéreas já devem aparecer em alta e pressionar o IPCA como um todo”, afirmou.
Com o aumento do QAV, as companhias aéreas enfrentarão custos mais altos, o que tende a ser repassado aos consumidores. A guerra no Irã continua a impactar o mercado de petróleo, e novos reajustes não estão descartados.



