Malha fina do IR cresce com novo sistema de dados da Receita Federal
Malha fina do IR cresce com novo sistema de dados

O número de declarações do Imposto de Renda retidas na malha fina cresceu em 2025, impulsionado pela mudança nos sistemas de envio de dados por fontes pagadoras, como empresas e planos de saúde, à Receita Federal. Até o último dia 23, foram entregues pouco mais de 15,1 milhões de declarações, das quais 1,05 milhão (6,96%) ficaram retidas, percentual superior aos 5,22% registrados no mesmo período do ano anterior. Desse total, 257,8 mil declarações estão retidas devido a inconsistências geradas pelo novo modelo de cruzamento de dados.

Substituição da Dirf pelo eSocial e EFD-Reinf

A mudança ocorre após o fim da Dirf (Declaração do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte), substituída por dois sistemas: o eSocial e a EFD-Reinf (Escrituração Fiscal Digital de Retenções e Outras Informações Fiscais). Esses sistemas passaram a fornecer dados mais detalhados e mensais sobre rendimentos, pagamentos efetuados e IR descontado. Segundo a Receita Federal, o aumento pontual no número de declarações retidas é especialmente notado entre trabalhadores assalariados.

Motivos do adiamento e implementação

José Carlos Fonseca, supervisor nacional do Imposto de Renda, explicou que a mudança deveria ter ocorrido desde 2024, mas foi adiada por dois anos consecutivos. No primeiro ano, os sistemas ainda não estavam adaptados; no segundo, algumas empresas não haviam se adequado. A alteração ocorreu neste ano a pedido dos contribuintes, que reclamavam de enviar dados pelo eSocial e ainda ter que preencher a Dirf. A nova estrutura, no entanto, expôs erros no envio e na classificação de informações por parte das fontes pagadoras, especialmente pequenas e médias empresas ainda em processo de adaptação. A Receita considera isso normal e afirma que está monitorando e tirando dúvidas das companhias.

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Queda no percentual de retenções após ajustes

No início do prazo de entrega, 19,3% das declarações haviam caído na malha fina, cerca de dois em cada dez contribuintes. Esse índice recuou para 10,6% após a Receita identificar a origem do problema, concentrada principalmente em dados incorretos na declaração pré-preenchida. Entre os erros mais frequentes estão classificações erradas de rendimentos como salário, 13º e férias, códigos incorretos referentes aos dados da folha de pagamento, valores informados em duplicidade e divergências envolvendo rendimentos isentos ou despesas médicas, como planos de saúde declarados duas vezes. Esses problemas decorrem, em grande parte, de falhas técnicas na parametrização das chamadas "rubricas" salariais no eSocial, o que afeta o enquadramento correto do que é tributável e do que é isento.

Orientações da Receita Federal

Em nota, a Receita afirma que "esses erros são esperados quando ocorre a transição de um sistema para outro" e orienta o contribuinte a seguir o informe de rendimentos enviado pelo empregador, evitando confirmar dados da declaração pré-preenchida sem verificação. O fisco informou que as empresas estão se adequando à nova metodologia e enviando retificações de suas informações. "Estas retificações são processadas em um prazo de sete dias, e o efeito delas é retirar as declarações dos contribuintes que haviam caído na malha fiscal por estas divergências", afirma, lembrando que, na maioria dos casos, o contribuinte é retirado da malha fina automaticamente.

Malha fiscal não é punição

A Receita esclarece que "a malha fiscal não é punição, mas uma etapa normal de conferência. Todos os anos, milhões de declarações passam por esse processo, especialmente no início da campanha, quando informações ainda estão sendo ajustadas, confirmadas ou retificadas por contribuintes e fontes pagadoras. Historicamente, cerca de 80% das declarações retidas inicialmente são liberadas automaticamente até o final do ano, após a correção das informações".

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