Dólar cai abaixo de R$ 5: especialistas indicam momento para compra e estratégias de proteção
Dólar abaixo de R$ 5: momento para compra e proteção

Dólar volta a patamar abaixo de R$ 5, criando oportunidade para investidores

O dólar retornou a um patamar que não era observado desde 2024, fechando a semana passada em R$ 4,997. Essa queda anima quem necessita da moeda para viagens internacionais ou para estratégias de diversificação de investimentos. Para especialistas consultados, o momento atual é propício para realizar aquisições, embora a volatilidade possa persistir nos próximos dias.

Estratégia de formação de preço médio é recomendada

Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, destaca que a desvalorização do dólar teve como gatilho o otimismo em relação a uma possível trégua no conflito no Irã, mas o futuro geopolítico permanece incerto. "Essa é uma janela tática para formar preço médio ao longo do tempo", afirma Zogbi. A formação de preço médio consiste em comprar a moeda de forma parcelada, em vez de realizar uma aquisição única, limitando possíveis prejuízos caso o dólar retorne a patamares mais elevados.

Na mesma linha, Marcos Praça, diretor de análise da Zero Markets Brasil, avalia que o real é beneficiado pela maior distância do Brasil em relação aos conflitos geopolíticos globais. Para investidores interessados, ele recomenda fracionar as aquisições e focar no longo prazo, tratando a moeda como uma proteção patrimonial. "O recomendado é dividir a compra em, pelo menos, três momentos até a data de uma viagem para formar um preço médio", orienta Praça.

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Exposição ao dólar como proteção patrimonial

Zogbi ressalta que a grande maioria dos brasileiros não possui exposição à moeda norte-americana. "Manter uma parte da carteira em dólar é uma forma de proteção: por mais que o curto prazo seja volátil, o longo prazo tende a provar que a moeda é resiliente a choques e instabilidades, protegendo o dinheiro do investidor", explica. É possível se expor ao dólar através de diversas modalidades:

  • Contas internacionais ou em dólar: Oferecidas por bancos ou plataformas digitais, permitem manter saldo em moeda estrangeira e investir em ativos como ETFs. Incide IOF de 3,5% sobre a operação de câmbio.
  • Cartões internacionais pré-pagos em dólar: Funcionam como cartões recarregáveis, com saldo convertido de reais para dólar. Também sujeitos ao IOF de 3,5%.
  • ETFs (fundos de índice): Negociados em Bolsa, podem ser adquiridos de forma similar a ações. Incide Imposto de Renda sobre o ganho de capital, com alíquotas variáveis conforme a classificação.
  • Fundos cambiais: Fundos de investimento que acompanham a variação do dólar, acessíveis através de corretoras brasileiras. Aplicam-se tabela regressiva de IR e IOF em caso de resgate antecipado.
  • Compra de moeda em espécie: Disponível em bancos e casas de câmbio, com cobrança de IOF de 3,5%.

Ventos favoráveis ao real e possíveis riscos futuros

Desde que o dólar rompeu o piso de R$ 5 na segunda-feira passada, a cotação flutuou entre R$ 4,95 e R$ 5,01. A queda da moeda norte-americana é resultado de fatores positivos: além da possibilidade de trégua no Oriente Médio, investidores têm buscado oportunidades em países com menor exposição a atritos geopolíticos, como o Brasil.

Após a segunda posse de Donald Trump na Casa Branca, ganhou força no mercado financeiro global um movimento conhecido como rotation, que consiste em diversificar carteiras para além do mercado norte-americano. Mercados emergentes, incluindo o brasileiro, têm surfado nessa tendência. Outro ponto a favor do Brasil é o diferencial de juros em relação aos Estados Unidos, com a Selic em patamar elevado e a taxa norte-americana em queda gradual, incentivando estratégias de carry trade.

Contudo, há riscos que podem reverter a tendência de valorização do real. O fato de 2026 ser um ano eleitoral acende um alerta para a possível expansão de gastos públicos à medida que a corrida presidencial se intensifica. Não por acaso, o Boletim Focus da semana passada projeta o dólar em R$ 5,37 no final do ano.

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Recomendações para uso cotidiano e proteção patrimonial

Wanessa Guimarães, planejadora financeira pela Planejar e sócia da gestora HCI Advisors, ressalta que contas internacionais ou cartões pré-pagos são recomendados para uso cotidiano, como em viagens, por oferecerem taxas menores do que cartões de crédito convencionais. "A conta internacional é ótima para quem tem necessidade real de usar dólares no dia a dia: é possível manter o dinheiro em dólar, e, caso o cliente viaje ao exterior, basta utilizá-lo diretamente com o cartão da própria conta", afirma Guimarães.

As plataformas costumam cobrar o IOF integral de 3,5%, além de taxas de corretagem e administração. Para ganhar mercado, algumas oferecem descontos nessas tarifas, reduzindo o imposto federal pela metade ou diminuindo a taxa de corretagem para menos de 1% em condições específicas. Entre as contas internacionais mais populares no Brasil estão: Wise, Avenue, Nomad, Revolut, Astropay e fintechs como C6 e Inter.

Para quem busca proteger patrimônio, fundos cambiais e ETFs são alternativas sólidas. Nos fundos cambiais, o investidor não precisa lidar diretamente com o câmbio, adquirindo cotas com rentabilidade atrelada a títulos de dívida internacional ou contratos cambiais. ETFs, por sua vez, são fundos negociados em Bolsa que replicam índices de referência, como o S&P 500 e o Ibovespa, oferecendo retorno que acompanha o desempenho do índice ou ativo seguido.