O mercado financeiro brasileiro apresentou movimentos contrastantes nesta sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026, com o dólar atingindo seu menor patamar em meses e o Ibovespa registrando ganhos significativos. A moeda americana fechou em forte baixa, enquanto o principal índice da bolsa de valores avançou, refletindo um cenário de otimismo entre os investidores.
Queda expressiva do dólar ante o real
O dólar comercial encerrou o pregão com uma desvalorização de mais de 1%, sendo cotado a R$ 5,21. Esse valor representa o nível mais baixo desde maio de 2024, marcando uma tendência de enfraquecimento da moeda americana frente ao real. Analistas apontam que o movimento foi impulsionado principalmente por dados recentes do mercado de trabalho nos Estados Unidos, que se mostraram mais fracos do que o esperado.
Os relatórios ADP e Jolts, que medem a criação de empregos e as vagas abertas no país, indicaram uma desaceleração, reduzindo a pressão por altas de juros pelo Federal Reserve. Essa situação beneficia moedas de economias emergentes, como o real, que se tornam mais atrativas em um contexto de menor apetite por risco global.
Diferencial de juros atrai investidores estrangeiros
Outro fator crucial para a valorização do real é o elevado diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos. Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, explica que essa diferença continua muito atrativa, mesmo com a perspectiva de início de cortes na taxa Selic em março. "O real continua sendo beneficiado pelo elevado diferencial de juros do Brasil, o que tem estimulado a entrada de fluxo estrangeiro para bolsa e renda fixa", afirma o analista.
Esse influxo de capital estrangeiro tem sido um dos pilares para a sustentação do câmbio e do mercado acionário brasileiro, criando um ciclo positivo de confiança e liquidez.
Ibovespa em alta com foco em resultados corporativos
Enquanto o dólar caía, o Ibovespa fechou em alta de 0,45%, alcançando a marca de 182,9 mil pontos. A semana foi marcada pela atenção dos investidores às divulgações de resultados corporativos, decisões de política monetária e indicadores econômicos internacionais.
No cenário doméstico, a temporada de balanços trouxe notícias mistas:
- Itaú (ITUB4): As ações do banco subiram 2,70% após o resultado animar o mercado com controle da inadimplência e crescimento da carteira de crédito.
- Bradesco (BBDC4): Divulgou lucro líquido recorrente de R$ 6,51 bilhões no quarto trimestre de 2025, alta de 20,6% ante o mesmo período de 2024. No entanto, as projeções para 2026 decepcionaram, levando a uma baixa de 2,55% nos papéis.
- Santander (SANB11) e Banco do Brasil (BBAS3): Recuaram 1,74% e 0,45%, respectivamente, refletindo cautela em alguns segmentos do setor bancário.
Perspectivas macroeconômicas para 2026
O dia também foi marcado pela divulgação do Balanço macrofiscal de 2025 e perspectivas para 2026 pelo Ministério da Fazenda. O relatório traz projeções otimistas para a economia brasileira:
- Crescimento do PIB: A economia deve expandir 2,3% em 2026, sinalizando uma recuperação sustentada.
- Inflação: O IPCA deve cair de 4,3% em 2025 para 3,6% neste ano, influenciado pela desvalorização do dólar, excesso de oferta global e efeitos da política monetária contracionista.
- Superávit primário: A meta oficial é de superávit de 0,25% do PIB (R$ 34,5 bilhões) em 2026, o primeiro desde 2013. Em 2025, o déficit primário ficou em R$ 13 bilhões (0,10% do PIB).
A dívida bruta do governo geral encerrou 2025 em 78,7% do PIB, pressionada pelos juros elevados, mas o crescimento econômico ajudou a conter sua expansão. Essa combinação de fatores cria um ambiente propício para investimentos, apesar dos desafios fiscais remanescentes.
Em resumo, a sessão desta sexta-feira consolidou um cenário de fortalecimento do real e otimismo no mercado acionário, com expectativas positivas para a economia brasileira em 2026. Os investidores seguem atentos aos desdobramentos da política monetária e aos próximos balanços corporativos.