O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) decidiu, de forma unânime, reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,50% ao ano. A decisão, amplamente esperada pelo mercado financeiro, foi tomada por seis votos dos diretores presentes, além do presidente Gabriel Galípolo. No entanto, o Copom sinalizou preocupação com as pressões recentes sobre os preços, que afastaram ainda mais a inflação da meta estabelecida, exigindo serenidade e cautela na condução da política monetária.
Contexto da decisão
O Banco Central define os juros com base na inflação projetada, conforme a pesquisa Focus. As projeções para o IPCA permanecem acima da meta de 3,00%, com tolerância de 1,50 ponto percentual, situando-se em 4,9% para 2026 e 4,0% para 2027. A meta de referência do Copom para o quarto trimestre de 2027 é de 3,5%, ainda distante do centro da meta.
Decisão do Fed
A decisão do Copom ocorreu três horas após o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) do banco central dos Estados Unidos (Fed) manter sua taxa básica de juros no intervalo de 3,5% a 3,75% ao ano. Apesar da redução da Selic, os juros brasileiros continuam atrativos para investidores estrangeiros, mantendo o real valorizado. O Fed reconheceu que os desenvolvimentos no Oriente Médio aumentam a incerteza econômica e que a inflação elevada reflete, em parte, o aumento dos preços globais de energia. A decisão foi dividida: Stephen Miran, indicado por Trump, votou pela redução, enquanto três diretores discordaram da sinalização de possível flexibilização.
Comunicado do Copom
O comunicado do Copom destacou que o ambiente externo permanece incerto devido aos conflitos no Oriente Médio, exigindo cautela de países emergentes. No cenário doméstico, os indicadores mostram moderação no crescimento econômico, mas o mercado de trabalho ainda apresenta resiliência. A inflação cheia e as medidas subjacentes aceleraram, distanciando-se da meta.
As expectativas de inflação para 2026 e 2027 estão em 4,9% e 4,0%, respectivamente, acima da meta. A projeção do Copom para o quarto trimestre de 2027 é de 3,5% no cenário de referência. Os riscos de alta incluem desancoragem das expectativas, resiliência da inflação de serviços e impacto de políticas econômicas. Os riscos de baixa envolvem desaceleração econômica mais acentuada, choques globais e redução nos preços de commodities.
Política fiscal e monetária
O Comitê acompanha os impactos da política fiscal doméstica sobre a política monetária e reforça a cautela. Os indicadores de atividade econômica mostram recuperação em relação ao último trimestre de 2025, mas com desaceleração no acumulado de 2026. O cenário é marcado por expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas e pressões no mercado de trabalho.
O Copom considera os efeitos dos conflitos no Oriente Médio sobre a cadeia de suprimentos e os preços de commodities, que afetam a inflação brasileira. As projeções de inflação apresentam distanciamento adicional da meta, com elevada incerteza.
Decisão e votos
O Comitê decidiu dar sequência ao ciclo de calibração da política monetária, reduzindo a Selic para 14,50% ao ano. A decisão é compatível com a convergência da inflação para a meta ao longo do horizonte relevante, além de suavizar flutuações econômicas e fomentar o pleno emprego. O Copom reafirma serenidade e cautela, incorporando novas informações sobre os conflitos no Oriente Médio. Votaram a favor: Gabriel Muricca Galípolo (presidente), Ailton de Aquino Santos, Gilneu Francisco Astolfi Vivan, Izabela Moreira Correa, Nilton José Schneider David e Paulo Picchetti.



