Ações do Bradesco caem 4,5% após projeções para 2026 frustrarem expectativas do mercado
As ações do Bradesco registraram uma queda significativa de 4,5% no pregão desta sexta-feira, 5 de fevereiro de 2026, refletindo a frustração do mercado com as projeções divulgadas para o próximo ano. O desempenho ocorreu mesmo após o banco apresentar um lucro dentro do esperado em 2025, com avanços em rentabilidade e controle de inadimplência, marcando progressos desde o início de sua reestruturação.
Resultados financeiros e projeções desalentadoras
No quarto trimestre de 2025, o Bradesco reportou um lucro líquido recorrente de 6,51 bilhões de reais, representando uma alta de 20,6% em comparação com o mesmo período do ano anterior. Esse número ficou alinhado com as expectativas do mercado, que aguardava cerca de 6,39 bilhões de reais, conforme levantamento do BTG Pactual. No acumulado de 2025, o lucro totalizou 24,6 bilhões de reais, com um crescimento expressivo de 26,1% em relação a 2024.
No entanto, as projeções para 2026 estimam um crescimento da carteira de crédito entre 8,5% e 10,5%, indicando uma desaceleração de 0,5 a 2,5 pontos percentuais em comparação com o avanço de 11% registrado em 2025. Analistas do UBS BB revisaram suas expectativas, ajustando a previsão de lucro para 2026 de 29 bilhões para 27,5 bilhões de reais, o que contribuiu para a pressão negativa sobre as ações.
Declarações do CEO e estratégia de investimentos
O CEO Marcelo Noronha comentou sobre a reação do mercado, afirmando que “o mercado cobra mais que os chefes”. Ele destacou que as expectativas desconsideram o processo gradual de reestruturação do banco, enfatizando a abordagem “step by step”. Noronha explicou que o Bradesco não abrirá mão de investimentos para aumentar a competitividade, com planos de ampliar os gastos em tecnologia em 22% em 2026.
O executivo também reforçou o compromisso com uma régua alta para concessão de crédito, focando em clientes resilientes e evitando riscos excessivos. As áreas prioritárias incluem crédito consignado, financiamento imobiliário e carteiras de pessoas jurídicas, com metas ambiciosas para expansão no segmento de pessoas físicas.
Metas de crescimento e cenário macroeconômico
O Bradesco estabeleceu metas específicas para diferentes segmentos de clientes:
- Na alta renda, a marca Principal busca aumentar de 320 mil para 800 mil clientes até o final de 2026.
- No Prime, voltado para média renda, o objetivo é crescer de 3,7 milhões para 4,7 milhões de clientes.
- No varejo massificado, a meta é dobrar a base, saindo de 19 milhões para 40 milhões de clientes.
Quanto ao cenário macroeconômico, Noronha avaliou que a possível queda da Selic para 12% ao ano em 2026 pode melhorar a saúde financeira de famílias e empresas, atuando como uma alavanca para os negócios do banco. Ele também minimizou impactos do cenário eleitoral, afirmando que fatores de volatilidade já estão considerados nas projeções.
Perspectivas de rentabilidade e conclusão
Diante desse contexto, o CEO projetou que a rentabilidade do Bradesco, medida pelo Retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROE), deve se manter em torno de 15% em 2026, estabelecendo esse patamar como um piso mínimo. Embora o mercado tenha apreciado os resultados recentes, as projeções menos otimistas para o próximo ano pesaram nas avaliações, enquanto o banco mantém seu foco em investimentos contínuos para sustentar a reestruturação em andamento.