Ações da Amazon caem 9% após anúncio de investimento de US$ 200 bilhões em IA
Amazon cai 9% com plano de US$ 200 bi em IA; investidores temem retorno

Queda acentuada das ações da Amazon reflete preocupação do mercado com investimentos massivos em IA

As ações da Amazon registraram uma queda expressiva de 9% nesta sexta-feira, 6 de setembro, após a gigante do varejo e tecnologia anunciar um ambicioso plano de investimentos. A empresa pretende direcionar US$ 200 bilhões ao longo do ano para infraestrutura de inteligência artificial, um movimento que reacendeu dúvidas significativas entre investidores sobre a capacidade de retorno financeiro desses aportes.

Volume surpreendente de recursos gera incertezas no mercado

O anúncio coloca a Amazon ao lado de outras grandes empresas de tecnologia que projetam forte aumento de despesas em 2025. Juntas, essas companhias devem direcionar mais de US$ 630 bilhões para data centers e chips voltados à inteligência artificial, um patamar inédito de investimentos no setor. Embora o mercado já esperasse uma ampliação dos gastos, analistas apontam que a dimensão dos valores surpreendeu negativamente.

A avaliação predominante é que o salto nas despesas levanta incertezas sobre o tempo necessário para que esses investimentos se traduzam em resultados financeiros concretos. Analistas ouvidos pela Reuters afirmaram que, apesar de o aumento dos investimentos já ser esperado, o tamanho do avanço ficou acima do consenso do mercado.

Comparações históricas e contexto de instabilidade

O movimento reacendeu comparações com o início dos anos 2000, quando empresas de tecnologia investiram pesadamente na infraestrutura que ajudou a construir a internet moderna, mas nem sempre conseguiram retorno proporcional ao volume de recursos empregados. O anúncio da Amazon ocorre em um ambiente de maior instabilidade no mercado, influenciado pelas expectativas em torno da inteligência artificial.

Nos últimos dias, ações da Microsoft e da Alphabet também recuaram após a divulgação de seus resultados. Ao mesmo tempo, novas tecnologias desenvolvidas por startups apoiadas por essas empresas provocaram quedas em ações de companhias de software e intensificaram o debate sobre os impactos da IA no setor.

Desde 28 de janeiro, o índice de software e serviços do S&P 500 perdeu cerca de US$ 1 trilhão em valor de mercado. Para o diretor de investimentos da AJ Bell, Russ Mould, o movimento reflete uma saída de investidores de ações em que as boas surpresas se tornaram mais difíceis.

"É mais fácil decepcionar do que muitos imaginam nesse momento do mercado", disse Mould à Reuters. O especialista também avalia que grandes empresas de computação em nuvem estão mudando seu modelo de negócios, deixando estruturas mais leves e passando a operar com volumes maiores de ativos.

Múltiplos de avaliação e possíveis perdas

Se a queda se mantiver, a Amazon pode perder cerca de US$ 200 bilhões em valor de mercado. A empresa negocia atualmente com um múltiplo preço/lucro de 27,01, acima do registrado pela Microsoft, de 21,62, e próximo ao da Alphabet, de 28,36. Esses números destacam as expectativas elevadas que o mercado mantém em relação às empresas de tecnologia, especialmente no contexto da corrida pela inteligência artificial.

Executivos mantêm defesa dos investimentos apesar das críticas

Apesar das dúvidas do mercado, executivos das grandes empresas de tecnologia seguem defendendo os gastos elevados. A aposta central é que os ganhos com a inteligência artificial irão superar os custos envolvidos nessa corrida acelerada por inovação.

Na teleconferência após a divulgação do balanço, o presidente-executivo da Amazon, Andy Jassy, destacou o crescimento de 24% da receita da Amazon Web Services. O desempenho ficou abaixo do avanço registrado pelo Google Cloud, de 48%, e pelo Azure, da Microsoft, de 39%.

Segundo Jassy, a comparação deve considerar o tamanho da operação. "Como lembrete", afirmou aos analistas, a AWS tem uma base de negócios maior do que a dos concorrentes, o que torna mais difícil manter taxas elevadas de crescimento.

Análises apontam margem de erro reduzida

Parte dos analistas concorda com essa avaliação, mas ressalta que o volume de investimentos reduz significativamente a margem para erros. Para a MoffettNathanson, embora haja sinais de demanda, o nível de gastos aumenta os riscos.

"Não acreditamos que eles estariam gastando US$ 200 bilhões no ano fiscal de 2026 sem indícios suficientes de demanda, mas a margem de erro está diminuindo", afirmaram os analistas. Essa perspectiva reflete o delicado equilíbrio que as empresas de tecnologia precisam manter entre investir no futuro e garantir retornos no presente.

O cenário atual mostra uma indústria em transição, onde as apostas em inteligência artificial estão redefinindo não apenas as estratégias corporativas, mas também as expectativas dos investidores e a dinâmica completa do mercado de tecnologia.