Vale Tremembé registra maior queda de empregos formais da região em 2025
Um levantamento do Núcleo de Pesquisas Econômico-Sociais da Universidade de Taubaté (Nupes/Unitau) revelou um cenário preocupante para o mercado de trabalho no Vale Tremembé. Com base nos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o estudo apontou o fechamento de 1.112 vagas formais de emprego apenas no ano de 2025. Essa retração representa uma queda expressiva de 18,94% em relação ao ano anterior, configurando-se como a maior redução registrada entre todas as cidades analisadas na região.
Perfil de cidade-dormitório e índices preocupantes
Os pesquisadores destacam que o resultado está diretamente relacionado ao perfil de cidade-dormitório, característico de municípios com menor proporção de empregos formais em relação à sua população residente. Tremembé figura entre os municípios com os piores índices nesse aspecto, apresentando uma proporção de apenas 8,9% de empregos formais em relação aos habitantes. Esse número fica atrás apenas de Arapeí, com 7,1%, e Potim, com 6,07%.
Na sequência das cidades com maior redução de vagas, aparecem Areias, com queda de 9,94%, e Jambeiro, com diminuição de 8,2% nos postos de trabalho formais. A relação entre número de empregos e população é considerada um indicador fundamental para compreender o papel econômico desempenhado por cada município. Enquanto cidades com baixa proporção tendem a funcionar como dormitórios, outras se consolidam como polos atrativos para trabalhadores.
Contraste com polos econômicos da região
O estudo traça um contraste evidente entre Tremembé e os principais centros urbanos do Vale do Paraíba. Em Taubaté, por exemplo, a proporção de empregos formais em relação à população alcança 27,7%, indicando uma dinâmica econômica mais robusta e diversificada. Já em São José dos Campos, o índice é ainda mais expressivo, atingindo 29,2%, o que reforça sua posição como importante polo industrial e tecnológico da região.
De acordo com os pesquisadores do Nupes/Unitau, o levantamento deve contribuir significativamente para análises sobre os rumos do mercado de trabalho na região, especialmente diante das transformações provocadas pelo avanço da inteligência artificial e outras mudanças estruturais na economia.
Posicionamento das prefeituras
A Prefeitura de Tremembé emitiu uma nota explicativa sobre os números, informando que aproximadamente 50% das vagas fechadas no ano passado estão relacionadas ao encerramento de contratos temporários da administração pública e de vínculos estabelecidos por meio de processos seletivos. A gestão municipal ressaltou que as reposições já foram realizadas através de concurso público, buscando normalizar a situação.
Já a Prefeitura de Areias destacou que o setor público constitui o principal empregador do município, uma vez que a cidade não conta com indústrias de grande ou médio porte. O comércio aparece como o segundo maior gerador de empregos na localidade. A administração municipal enfatizou ainda que os dados devem ser analisados em conjunto com informações sobre Microempreendedores Individuais (MEIs), já que muitos trabalhadores atuam como prestadores de serviço, o que influencia diretamente os índices de empregos formais.
A Prefeitura de Jambeiro também foi contatada para se manifestar sobre os dados, mas ainda aguarda-se um posicionamento oficial da administração municipal. O cenário apresentado pelo estudo evidencia a necessidade de políticas públicas específicas para reverter a tendência de retração no mercado de trabalho formal em municípios com características de cidade-dormitório.



