Novas Regras do PIX Entram em Vigor para Combater Fraudes Recordistas
Novas Regras do PIX Contra Fraudes em Vigor (07.02.2026)

Novas Regras do PIX Entram em Vigor para Combater Fraudes Recordistas

O Banco Central do Brasil anunciou a implementação de novas regras para o sistema PIX, visando fortalecer a segurança e combater o crescente volume de fraudes. A medida surge em um contexto de expansão impressionante do sistema de pagamentos instantâneos, que registrou movimentações recordes no ano de 2025.

Recorde de Movimentações e Crescimento Expressivo

Em 2025, o PIX alcançou a marca histórica de R$ 35,36 trilhões em transferências, um aumento significativo de 33,6% em comparação com 2024, quando as movimentações totalizaram R$ 26,46 trilhões. Além do volume financeiro, a quantidade de transações também superou o ano anterior, com 79,8 bilhões de operações realizadas em 2025, contra 63,5 bilhões em 2024.

Renato Gomes, diretor de Organização do Sistema Financeiro e Resolução do Banco Central, destacou em novembro de 2025, durante as comemorações dos cinco anos do PIX, que o país está próximo de ter toda a população adulta utilizando a ferramenta. "É essencialmente quase todo adulto no país", afirmou o diretor, ressaltando que a velocidade da adoção massiva surpreendeu e incluiu milhares de pessoas no sistema financeiro.

Evolução do Sistema e Funcionalidades Implementadas

Reconhecido internacionalmente, o PIX evoluiu nos últimos anos com diversas funcionalidades que ampliaram sua utilidade:

  • PIX Cobrança: substitui o boleto, permitindo emissão e recebimento rápido de pagamentos com conciliação automática.
  • PIX Saque e PIX Troco: descentraliza o acesso ao dinheiro, transformando estabelecimentos em pontos de saque.
  • PIX Agendado: facilita pagamentos periódicos e transferências com datas fixas, ideal para empregadores e autônomos.
  • PIX por Aproximação: disponível inicialmente para Android, oferece experiência de pagamento por contato físico.
  • PIX Automático: democratiza o débito automático, facilitando cobranças de serviços contínuos.
  • Integração com Open Finance: amplia o alcance das transações digitais em compras online e via celular.

Golpes, Fraudes e Medidas de Segurança

A expansão do sistema trouxe desafios de segurança. Em 2024, o Banco Central registrou R$ 6,5 bilhões em perdas por fraudes via PIX, um aumento de 80% em relação a 2023. Além disso, em 2025, ocorreu o maior ataque hacker do país, com desvio de R$ 800 milhões de instituições ligadas ao PIX.

Para enfrentar essas ameaças, o BC implementou medidas como a coincidência cadastral, que exige que dados das chaves PIX coincidam com informações da Receita Federal, reduzindo contas falsas. O manual de penalidades foi reforçado, com sanções mais severas para instituições que não seguem regras de segurança, e intermediários tecnológicos agora operam com limites restritos até cumprirem exigências de credenciamento.

Uma novidade crucial é a exigência de que bancos sigam novas regras para restituição de recursos em casos de fraude ou falha operacional. Antes, a devolução só era possível a partir da conta usada na fraude, mas golpistas costumam sacar ou transferir rapidamente o dinheiro, dificultando o rastreio.

Novidades em Estudo e Futuro do PIX

O Banco Central prevê várias novidades para o PIX em 2025 e além:

  1. Cobrança Híbrida: regulamentação do pagamento via QR Code que também permite pagamento por boleto, com previsão de se tornar obrigatória a partir de novembro de 2025.
  2. Duplicata: funcionalidade para pagamento de duplicatas escriturais via PIX, facilitando antecipação de recebíveis e reduzindo custos operacionais.
  3. Split Tributário: adequação da ferramenta ao sistema de pagamento de impostos em tempo real da Receita Federal, alinhado à reforma tributária sobre consumo.

Para 2027, dependendo de recursos disponíveis, estão previstas:

  • PIX Internacional: expansão definitiva para pagamentos transfronteiriços, além do uso parcial já existente em países como Argentina, Estados Unidos e Portugal.
  • PIX em Garantia: crédito consignado para autônomos e empreendedores, usando recebíveis futuros do PIX como garantia de empréstimos.
  • PIX por Aproximação Offline: permitir pagamentos por aproximação mesmo sem conexão à rede.

O Banco Central também discute o lançamento do PIX Parcelado, uma alternativa para cerca de 60 milhões de pessoas sem acesso a cartão de crédito. Embora já ofertado por algumas instituições, o BC busca padronizar regras para favorecer competição e reduzir juros, sem prazo definido para implementação.

Essas iniciativas refletem o compromisso do Banco Central em equilibrar inovação e segurança, garantindo que o PIX continue a ser uma ferramenta confiável e acessível para a população brasileira.