
Parece que a conta chegou, e com juros. O mês de julho não foi nada gentil com as contas públicas do Brasil. O governo central – aquela soma pesada da União, Previdência e Banco Central – registrou um déficit primário que dá frio na espinha: R$ 59,12 bilhões. Sabe o que é mais preocupante? Isso não é um rombo qualquer. É o segundo pior resultado para meses de julho em toda a série histórica, que começou a ser contabilizada lá em 1997.
Os dados, divulgados pela Secretaria do Tesouro Nacional nesta quarta-feira (28), mostram uma realidade dura. Só para você ter uma ideia, o valor arrecadado com receitas primárias foi de R$ 181,99 bilhões. Parece muito, não? Mas aí entram os gastos… que somaram R$ 241,11 bilhões. A matemática é cruel e simples: saiu muito mais do que entrou.
Uma Montanha de Gastos e uma Colina de Receitas
O que explica um buraco desses? Dois fatores principais. De um lado, as despesas primárias do governo central dispararam, atingindo R$ 199,46 bilhões – um aumento expressivo de 15,6% na comparação com o mesmo período do ano passado. Do outro, as receitas primárias, bem… ficaram praticamente estagnadas. Cresceram apenas 0,3%, um percentual tão mínimo que quase não se nota diante da inflação.
E tem mais. Se olharmos para o acumulado do ano, a situação também não é das melhores. Nos primeiros sete meses de 2024, o déficit primário já soma R$ 56,74 bilhões. Em igual período de 2023, havia um superávit (ou seja, uma sobra) de R$ 40,75 bilhões. A reversão foi brutal.
E o que isso significa para o país?
Bom, déficits persistentes não são exatamente um sinal de saúde econômica. Eles pressionam a dívida pública, assustam investidores e podem complicar ainda mais o já desafiador cenário de juros e inflação. É como dirigir um carro com o alerta de combustível aceso – você pode até continuar andando, mas sabe que uma hora o problema vai ter que ser resolvido.
Os especialistas já estão de olho. Eles analisam esses números não apenas como uma fotografia de um mês ruim, mas como um indicador preocupante sobre a trajetória fiscal do país. Manter as contas em ordem é um dos maiores desafios de qualquer governo, e julho mostrou que o caminho ainda é longo e cheio de obstáculos.
Fica o alerta. A economia é um organismo vivo, e números como esses são como um check-up que aponta a necessidade de cuidados. Todos, no fim das contas, sentimos os efeitos.