Dólar registra queda de 0,27% em meio a incertezas sobre conflito no Oriente Médio
O dólar comercial encerrou esta segunda-feira (6) com queda de 0,27%, sendo negociado a R$ 5,1469, em um pregão marcado pelas incertezas em torno da guerra no Oriente Médio. A moeda norte-americana oscilou em margens curtas durante toda a sessão, alcançando o patamar máximo de R$ 5,159 durante a tarde, coincidindo com uma entrevista coletiva do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Na mínima do dia, a cotação chegou a R$ 5,139.
Movimento global e estabilidade na Bolsa brasileira
O movimento de queda não se limitou ao mercado brasileiro. O índice DXY, que mede a força do dólar frente a uma cesta de seis divisas fortes, recuou 0,05% nesta mesma sessão. Paralelamente, a Bolsa de Valores brasileira apresentou desempenho praticamente estável, com avanço modesto de apenas 0,06%, fechando aos 188.161 pontos.
As negociações deste pregão foram influenciadas pela possibilidade concreta de um cessar-fogo no conflito no Oriente Médio, que já se estende por cinco semanas consecutivas. Um plano mediado pelo Paquistão entre Estados Unidos e Irã propõe uma trégua inicial de 45 dias, seguida por negociações visando um acordo mais amplo e duradouro.
Diplomacia intensa e posições divergentes
O marechal de campo Asim Munir, chefe do Exército paquistanês, manteve contato "durante toda a noite" com o vice-presidente norte-americano J.D. Vance, o enviado especial Steve Witkoff e o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, conforme revelou uma fonte próxima às negociações. Apesar dos esforços diplomáticos, negociadores de ambos os lados admitem que as chances de um acordo parecem reduzidas.
O regime iraniano já rejeitou publicamente a ideia de uma trégua provisória, exigindo uma solução definitiva para os conflitos na região. As autoridades de Teerã afirmaram que a guerra continuará pelo tempo necessário e apresentaram aos Estados Unidos dez pontos específicos para negociação, incluindo um acordo sobre o uso estratégico do estreito de Hormuz, o fim das sanções econômicas ao país e provisões para a reconstrução nacional.
Ultimato de Trump e reações do mercado
As negociações ocorrem sob a sombra de um ultimato do presidente Donald Trump às forças iranianas. Teerã tem até às 21h de terça-feira (7), no horário de Brasília, para aceitar as condições de uma trégua e reabrir o estreito de Hormuz - caso contrário, os Estados Unidos prometem "explodir tudo". Uma autoridade iraniana já descartou a reabertura do estreito em caso de cessar-fogo temporário.
Em entrevista coletiva nesta tarde, Trump afirmou que o Irã poderia ser neutralizado em uma única noite, acrescentando que "essa noite pode ser amanhã". Daniel Teles, sócio da Valor Investimentos, comentou: "Quando Trump fala em acabar com a guerra em um dia, soa como mais um blefe, porque ele não conseguiu fazer isso até agora. O mercado já está estafado dessas falas e de nenhuma ação concreta acontecendo".
Impacto econômico global e crise energética
O bloqueio do estreito de Hormuz, por onde transitam 20% de todo o petróleo e gás natural liquefeito consumidos globalmente, lançou a economia mundial em turbulência significativa. Este choque de oferta, considerado sem precedentes, está se transformando em uma crise energética que fez os preços do petróleo e seus derivados dispararem em todo o mundo.
Nesta sessão, o petróleo Brent, referência internacional, avançou aproximadamente 1%, sendo cotado a US$ 112 por barril. Com a inflação global sob forte pressão, as previsões de crescimento econômico foram colocadas em dúvida, assim como os próximos movimentos dos principais bancos centrais mundiais.
Inflação brasileira e perspectivas econômicas
Tanto o Federal Reserve dos Estados Unidos quanto o Banco Central brasileiro mencionaram explicitamente a guerra em suas decisões de política monetária do mês passado, diante do risco concreto de pressão inflacionária global. Na avaliação da XP Investimentos, um conflito prolongado e preços elevados do petróleo por período estendido representam os principais pontos de atenção, especialmente com as expectativas de inflação local subindo acima da meta de 3% estabelecida pelo BC.
No Boletim Focus desta segunda-feira, analistas ajustaram para cima as expectativas para a inflação em 2026 pela quarta semana consecutiva. As projeções para a alta do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) agora são de 4,36% para este ano e 3,85% para o próximo, ante 4,31% e 3,84%, respectivamente, na semana anterior.
Economistas mantiveram a projeção de R$ 5,40 para o dólar no encerramento deste ano e de 12,50% para a taxa Selic, atualmente em 14,75%. A expectativa predominante é de um corte de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros durante a reunião marcada para o final deste mês.
Apesar dos desafios, a XP Investimentos avalia que o Brasil está relativamente bem posicionado para enfrentar as turbulências decorrentes da guerra, "dada a alta exposição ao petróleo e o potencial de seguir atraindo fortes fluxos estrangeiros, especialmente quando as tensões geopolíticas arrefecerem".



