O acordo entre o governo federal e o governo de Pernambuco para transferir a administração do Metrô do Recife ao estado, firmado em dezembro de 2025, previa o envio de 11 trens para reforçar o sistema. No entanto, a remessa, já atrasada, deve ser reduzida para sete unidades, depois que quatro das cinco locomotivas provenientes de Porto Alegre foram reprovadas em vistoria técnica.
Reprovação e atrasos na entrega
De acordo com Luiz Soares, presidente do Sindicato dos Metroviários de Pernambuco (Sindmetro-PE), além da reprovação, há problemas com os outros seis trens, vindos de Belo Horizonte, que estariam sendo negociados com um ferro-velho por um valor maior. O acordo, fechado em dezembro, inclui um aporte emergencial de R$ 150 milhões da União e prevê que o metrô seja concedido à iniciativa privada após a conclusão do processo.
Dos 11 trens, seis deveriam ter chegado em janeiro de 2026. Em fevereiro, a Secretaria Estadual de Mobilidade e Infraestrutura informou que o repasse estava relacionado a fatores operacionais e logísticos.
Posição da CBTU
A Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) informou que os trens do Rio Grande do Sul foram reprovados devido ao grau de degradação e aos custos de recuperação. Apenas um trem foi aprovado, pois já passou por revisão completa e está apto a operar. Os outros quatro chegarão em um segundo momento, sem data definida.
A CBTU também confirmou o cronograma dos trens de Belo Horizonte: um trem em maio, um em junho, um em julho, um em agosto e dois em setembro de 2026.
Críticas do sindicato
Luiz Soares afirmou que os trens de Belo Horizonte foram negociados como sucata por cerca de R$ 2 milhões, mas a venda foi suspensa e agora são vendidos por R$ 60 milhões. Ele destacou que as composições não são compatíveis com o sistema do Recife, exigindo adaptações.
Os trens de Porto Alegre estavam fora de operação há anos e apresentam desgaste semelhante ao da frota atual. Alguns precisam de recuperação antes de funcionar. O sindicalista comparou a situação: os trens de BH estavam expostos ao tempo e em piores condições.
O g1 questionou a CBTU sobre o valor de venda, as condições e a necessidade de adaptações, mas não obteve resposta até a última atualização.



