Musical em Bauru revive história de Eny Cezarino e do maior bordel do Brasil
Musical revive história de Eny Cezarino em Bauru

Musical em Bauru revive história de Eny Cezarino e do maior bordel do Brasil

Um musical inédito produzido em Bauru (SP) está resgatando a história de Eny Cezarino, a famosa cafetina que comandou a Casa da Eny, apontada como o maior bordel do Brasil entre as décadas de 1950 e 1980. O espetáculo 'A Maldição das Uvas de Salerno' será apresentado em uma sessão extra neste sábado (25), às 20h, no Teatro Municipal, com entrada gratuita.

A montagem é fruto do trabalho de alunos e ex-alunos do curso de teatro musical da Divisão de Ensino às Artes da Prefeitura de Bauru. Ao todo, 21 atores e músicos participam da encenação, com canções originais executadas ao vivo. O musical é baseado no livro 'Eny e o Grande Bordel Brasileiro', do jornalista Lucius de Mello, e se inspira na trajetória da cafetina e no universo que a cerca. A narrativa percorre histórias de seus antepassados até chegar à vida de Eny.

Processo criativo e adaptação

Em entrevista ao g1, a diretora artística e autora do texto, Camila Pergentino, explicou que a escolha do tema surgiu da busca por uma produção original e com identidade local. "Quando pensamos em iniciar o curso, queríamos fugir do eixo Broadway e trazer algo nacional ou regional. A história da Eny apareceu como sugestão, e eu já tinha uma conexão com a obra. Quando surgiu a ideia, abracei imediatamente", afirma.

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Segundo Camila, o processo de adaptação envolveu selecionar elementos iniciais do livro e transformá-los em linguagem cênica. O espetáculo foi estruturado em oito cenas, cada uma acompanhada por uma música que ajuda a conduzir a narrativa. Ao todo, são nove canções, sendo sete autorais e duas já conhecidas do público, usadas na ambientação. "Não utilizamos playback. Todos cantam e tocam em cena, o que dá ainda mais força ao espetáculo", destaca. A entrada é gratuita e o acesso será liberado a partir das 19h30, sem necessidade de retirada de ingressos.

A história da Casa da Eny

A história que inspira o musical remonta a um dos locais mais emblemáticos de Bauru. Entre as décadas de 1950 e 1980, a Casa da Eny se tornou conhecida como o maior bordel do Brasil. Instalada em uma área de 12 mil metros quadrados, a mansão contava com cerca de 40 dormitórios, duas suítes, restaurante, bar, cozinha, piscina, diversos banheiros e um jardim de rosas cuidadosamente mantido por Eny Cezarino. No auge, mais de 70 mulheres trabalhavam no local. A casa recebia senadores, empresários, artistas e celebridades, como Jânio Quadros, Vinícius de Moraes, Elke Maravilha e Paulo Maluf. O letreiro em neon do Eny's Bar, visível de longe, ajudava a atrair clientes de diferentes regiões do país.

Nascida em São Paulo, em 1917, Eny Cezarino, registrada como Emy por engano, deixou a família ainda jovem para trabalhar com prostituição. Após passar por cidades como Rio de Janeiro, Porto Alegre e Paranaguá, chegou a Bauru em um período de forte crescimento econômico e decidiu investir no próprio negócio. Inicialmente trabalhando em uma pensão no Centro, conseguiu economizar dinheiro até assumir um estabelecimento e, depois, adquirir o terreno às margens da Rodovia Marechal Rondon, onde construiu sua famosa casa.

O crescimento do empreendimento acompanhou o desenvolvimento da cidade, que se consolidava como importante polo comercial do interior paulista. "Bauru aglutinava as pessoas, e a Casa da Eny, na verdade, se tornou um ponto de encontro desses empreendedores, comerciantes e políticos que aqui vinham para fazer os seus negócios", explicou a historiadora Terezinha Santarosa Zanlochi ao g1.

As chamadas "garotas da Eny" seguiam regras rígidas. Era necessário ter ficha limpa, realizar exames médicos periódicos e manter um padrão elevado de apresentação, com roupas sob medida e cuidados constantes com a aparência. O funcionamento da casa chegou ao fim em 1983, quando o imóvel foi vendido. Eny morreu quatro anos depois, em 1987, em Bauru. Hoje, o espaço está fechado e sem uso, embora já tenha sido alugado para festas no início dos anos 2000. O antigo letreiro ainda marca o local.

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