Veterinária assume liderança na produção de queijo em Adamantina, fortalecendo a agricultura familiar
O oeste paulista está consolidando sua posição como um polo emergente na produção de queijos, com destaque para Adamantina, cidade que abriga duas queijarias integrantes das Rotas do Queijo da Alta Paulista. Em uma dessas unidades, a produção industrial é comandada por uma médica veterinária, Jaqueline Calore, de 33 anos, que há cinco anos atua como responsável técnica, trazendo inovação e empoderamento feminino ao setor.
Associação e marca fortalecem a cadeia produtiva regional
A Associação dos Produtores de Leite de Adamantina e Região (Aplemar) e a marca Leite Jóia foram criadas conjuntamente em 2003, fruto da união de produtores rurais locais que buscavam fortalecer a atividade leiteira, organizar a produção da agricultura familiar e agregar valor ao leite produzido nas propriedades. Luciana Bellusci, representante da queijaria, explica que a marca Leite Jóia identifica e comercializa produtos derivados do leite, valorizando a origem regional e a tradição da Nova Alta Paulista.
Diariamente, a empresa recebe cerca de mil litros de leite, totalizando aproximadamente 30 mil litros por mês. "O queijo vai além do alimento. Ele representa geração de renda, permanência das famílias no campo e valorização da agricultura familiar", afirma Luciana.
Produção com qualidade e segurança sanitária
Jaqueline Calore destaca a importância do médico veterinário na indústria de laticínios, garantindo a qualidade e a segurança dos produtos, assegurando que estejam dentro das normas sanitárias e próprios para o consumo. "Realizo o controle de qualidade, supervisiono os processos industriais, asseguro o cumprimento das normas sanitárias e das exigências dos órgãos fiscalizadores. Para mim, é motivo de orgulho contribuir com a qualidade de um alimento tão essencial como o leite", relata a profissional.
Ela lidera uma equipe com oito colaboradores, acompanhando a qualidade do leite desde a recepção da matéria-prima até o produto final. O leite utilizado na fabricação dos queijos é produzido na propriedade de cada família associada, a partir da criação de vacas, fortalecendo a agricultura familiar e mantendo a renda no campo.
Inovação e valorização de produtos regionais
A queijaria também integra a cadeia produtiva do jatobá, fruta nativa do Cerrado, oferecendo produtos como:
- Peça artesanal maturada e finalizada com licor de jatobá;
- Queijo branco recheado com creme de jatobá com amendoim;
- Queijo branco recheado com creme de jatobá com avelã.
Outros insumos locais, como mel e café produzido na região, são utilizados para finalizar o queijo meia cura. Os produtos mais vendidos incluem muçarela artesanal, nozinho, requeijão de corte e leite. "Cada queijo produzido carrega mais do que sabor: carrega território, cooperação entre produtores e desenvolvimento regional", completa Luciana Bellusci.
Segunda queijaria em Adamantina também inova no setor
A Queijos Monte Alegre, outra queijaria que representa Adamantina nas Rotas do Queijo da Alta Paulista, começou a produzir queijos artesanais em 2017. Francieli Simionato Silveira, proprietária e médica veterinária, e seu marido, Stefano Roberto Silveira Jr., técnico em agropecuária, uniram conhecimentos para inovar na produção. "A ideia surgiu a partir do desejo de inovar na região e fazer algo para permanecermos no sítio da família, termos uma renda e criarmos nossos filhos aqui", diz Francieli.
Recentemente, Presidente Prudente foi escolhida como uma das cinco cidades para sediar centros-piloto de referência queijeira do estado, reforçando o crescimento e a importância da região na produção de queijos no interior paulista.



