Chifrada em toureiro reacende debate sobre a crueldade das touradas na Espanha
Toureiro ferido reacende debate sobre touradas na Espanha

Toureiro sofre ferimento grave em Sevilha e reacende polêmica sobre as touradas

Na segunda-feira, 20 de abril, o renomado matador espanhol José Antonio Morante Camacho, conhecido como Morante de la Puebla, foi gravemente ferido durante uma tourada na arena de La Maestranza, em Sevilha. O touro Clandestino atingiu o toureiro de 46 anos com uma chifrada nas nádegas, causando uma perfuração anal de 10 centímetros de profundidade e danos aos músculos do reto. O incidente, capturado em vídeo, gerou comoção imediata na Espanha e reabriu o debate sobre a permanência das touradas como prática cultural.

Resiliência surpreendente de uma tradição controversa

Apesar da crueldade inerente ao espetáculo, as touradas demonstram uma resiliência notável na sociedade espanhola. Pesquisa de 2025 do jornal El Mundo revela que 78% dos espanhóis consideram as touradas moralmente condenáveis. No entanto, quando questionados sobre a proibição, o índice de apoio cai para cerca de 50%. A justificativa é que as touradas são um patrimônio cultural espanhol, o que lhes confere uma blindagem moral difícil de questionar eticamente, segundo a ativista brasileira Silvana Andrade.

Apoio político e renovação do público

Em outubro de 2025, um projeto de lei popular que propunha a proibição das touradas foi derrotado por ampla maioria no Parlamento espanhol. Partidos de direita, como PP e Vox, votaram a favor da tradição, enquanto a esquerda radical foi contrária e os socialistas do PSOE se abstiveram. As touradas vêm se recuperando desde 2019: em 2024, foram realizadas 1.457 touradas no país. O interesse dos jovens e os subsídios municipais e provinciais, que totalizaram 42 milhões de euros em 2025, sustentam a prática.

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O papel dos artistas e escritores na mitificação das touradas

Pablo Picasso, fascinado desde a infância, celebrou a tauromaquia em uma série de gravuras. O escritor Ernest Hemingway afirmou que a tourada é a única arte em que o artista está em perigo de morte. Essa aura mítica pode ser reforçada pelo acidente de Morante, que já enfrenta problemas de saúde mental, como transtorno bipolar, e anunciou aposentadoria várias vezes. Sua dor agora pode representar um retrocesso na luta contra o atraso cultural.

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