Ted Turner, fundador da CNN, morre aos 87 e deixa fortuna bilionária
Ted Turner, da CNN, morre aos 87 anos com fortuna bilionária

Ted Turner, fundador da CNN que morreu aos 87 anos, entrou para a história como o empresário da comunicação que criou o canal CNN, pioneiro responsável por revolucionar o jornalismo televisivo ao estabelecer o modelo de notícias 24 horas por dia. O executivo deixa uma fortuna de 2,8 bilhões de dólares (equivalente a quase 14 bilhões de reais, na cotação atual), além de 2 milhões de acres de terra, sendo o segundo maior proprietário privado de terras dos Estados Unidos.

Início da trajetória

Nascido em Cincinnati, no estado de Ohio, em 1938, o magnata ficou conhecido tanto pelo espírito empreendedor quanto pela personalidade explosiva e franca. A trajetória de Turner no setor midiático começou de forma dramática. Aos 24 anos, assumiu a empresa de outdoors da família, a Turner Outdoor Advertising, após o suicídio do pai, em 1963. O empresário enfrentava depressão, problemas com álcool e dificuldades financeiras relacionadas à expansão da companhia. A relação com o pai havia sido marcada por conflitos. Turner foi educado em rígidas escolas militares do sul dos Estados Unidos, enquanto o pai sonhava vê-lo em Harvard. Ele acabou ingressando na Universidade Brown, integrante da Ivy League, mas abandonou os estudos por dificuldades financeiras e foi trabalhar nos negócios da família.

Revolucionando a televisão

Na década de 1970, começou a expandir suas operações ao comprar emissoras de rádio e, posteriormente, um canal de televisão em Atlanta, conhecido como Canal 17. Inicialmente, a programação era focada em esportes e entretenimento, com reprises de seriados humorísticos e filmes clássicos. O crescimento da emissora acelerou em 1976, quando Turner decidiu transmitir o sinal do Canal 17 via satélite. A iniciativa transformou a estação na primeira superestação da TV a cabo americana, permitindo que o conteúdo alcançasse assinantes em todo o país. Turner afirmava que os americanos eram mal informados, algo que, em sua visão, limitava o desenvolvimento nacional. Apesar de admitir que não entendia nada sobre jornalismo, reuniu profissionais experientes no ramo, como Reese Schonfeld, que se tornaria o primeiro presidente da CNN. Foi nesse contexto que nasceu, em 1980, o primeiro canal de notícias com transmissão ininterrupta 24 horas por dia. O modelo se tornou um marco na indústria televisiva e permanece no ar até hoje. O sucesso da emissora impulsionou uma rápida expansão do grupo. Em 1982, Turner lançou o CNN2, posteriormente rebatizado como Headline News e depois HLN. Em 1985, criou a CNN International, transmitida para mais de 150 países. A estratégia de apostar em canais segmentados também resultou em marcas de entretenimento de alcance global, como TNT, Turner Classic Movies (TCM) e Cartoon Network. Ainda nos anos 1980, ele adquiriu o catálogo cinematográfico da MGM.

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Venda do negócio e problemas financeiros

O empresário vendeu a Turner Broadcasting para a Time Warner em 1996, em um acordo avaliado em 7,5 bilhões de dólares, embora tenha permanecido na empresa como vice-presidente do conselho. A posterior fusão da Time Warner com a AOL, anunciada em 2000 durante o auge da bolha da internet, acabou se transformando em um desastre corporativo. Com o estouro da bolha em 2001, a nova AOL Time Warner registrou prejuízo recorde de 99 bilhões de dólares no ano seguinte, além de promover cortes massivos de empregos. O episódio ficou marcado como uma das maiores falhas da história das fusões empresariais. Turner deixou o cargo de vice-presidente da AOL Time Warner em 2003 e, três anos depois, anunciou que não disputaria a reeleição para o conselho de administração. Nesse processo, perdeu o controle sobre a Turner Broadcasting. Sua fortuna, fortemente ligada às ações da companhia, encolheu mais de 7 bilhões de dólares em apenas três anos.

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Espírito filantrópico

A faceta de magnata da mídia convivia com outro traço marcante de sua trajetória: a filantropia. Em 1990, criou a Fundação Turner, organização voltada à preservação ambiental. Anos depois, em 1997, prometeu doar 1 bilhão de dólares às Nações Unidas, compromisso concluído apenas em 2015 devido às perdas financeiras sofridas após a fusão com a AOL. Turner também integrou a Giving Pledge, iniciativa liderada por Warren Buffett, Bill Gates e Melinda French Gates que incentiva bilionários a destinarem ao menos metade de suas fortunas para ações beneficentes ainda em vida ou por meio de heranças. Além do setor de mídia, Turner também se reinventou como grande proprietário rural. Tornou-se o segundo maior dono privado de terras da América do Norte, com cerca de 2 milhões de acres distribuídos em dezenas de propriedades. Entre suas iniciativas ambientais, teve papel relevante na reintrodução de bisões em regiões do oeste americano. Em 2018, pouco antes de completar 80 anos, Turner revelou que sofria de demência, doença degenerativa que afeta o cérebro. Já em 2025, enfrentou um quadro de pneumonia e passou por recuperação em um centro de reabilitação. Faleceu nesta quarta-feira, 6, aos 87 anos de idade.