O Brasil fechou a safra 2017/18 de laranja com um recorde histórico nas exportações de suco concentrado, impulsionado principalmente pela demanda dos Estados Unidos, que enfrentaram problemas agrícolas. Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) compilados pela Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos (CitrusBR), o país embarcou 1,15 milhão de toneladas, um aumento de 29% em relação às 894,6 mil toneladas da safra anterior.
Os Estados Unidos foram o principal destino do crescimento, com importações de 315,4 mil toneladas, alta de 83% ante as 172,7 mil toneladas da safra 2016/17. O diretor-executivo da CitrusBR, Ibiapaba Netto, atribuiu o aumento aos danos causados pelo furacão Irma, que em setembro de 2017 devastou plantações na Flórida. "O furacão provocou um impacto terrível nesta safra na produção americana, em um momento em que o consumo de suco está caindo lá", afirmou.
Apesar do recorde, a Europa continua sendo o maior comprador do suco brasileiro, com 675 mil toneladas embarcadas, ante 579,5 mil toneladas da safra anterior. No entanto, o volume ainda não superou o da safra 2015/16, quando foram enviadas 748,1 mil toneladas ao continente europeu. O valor das exportações para os EUA chegou a US$ 561,7 milhões, crescimento de 77% em relação aos US$ 317,5 milhões da safra passada.
Produtores de laranja esperam maior rentabilidade em 2019, com base nos embarques recordes. Marco Antonio dos Santos, presidente do Sindicato Rural de Taquaritinga (SP), disse que muitos contratos incluem participação nos valores e que acredita em uma participação maior. No entanto, a safra 2018/19 deve ter queda de 27,62% na produção no cinturão citrícola de São Paulo e Triângulo/Sudoeste de Minas Gerais, segundo estimativa do Fundecitrus, com 288,29 milhões de caixas de 40,8 kg, ante 398 milhões da safra anterior.
Santos destacou que os preços atuais, entre R$ 21 e R$ 22 por caixa, cobrem os custos, mas não remuneram adequadamente, especialmente com a quebra de safra e desafios como o combate ao greening e ao cancro cítrico, além dos problemas com fretes. Apesar do cenário, o setor segue sensível, conforme alertou Netto, que vê a queda no consumo americano como preocupante.



