O Museu de Arqueologia e Etnologia de Nova Iguaçu, primeiro museu arqueológico do Estado do Rio de Janeiro, já está aberto à visitação pública. Localizado no Parque Histórico de Iguassú Velha, em Tinguá, o espaço busca reconectar passado e presente por meio das raízes históricas da Baixada Fluminense.
Exposição inaugural reúne peças milenares
A exposição de estreia, intitulada “Raízes Ancestrais – A construção da nação brasileira”, apresenta objetos com mais de 800 mil anos de história. Gabriel Cardoso, coordenador do museu, destacou o ineditismo do acervo: “Muitas peças são inéditas, tanto na Baixada quanto no Brasil. São objetos de diferentes partes do país, e o público tem se encantado. As pessoas trazem familiares, retornam e abraçam o espaço como um local de pertencimento”.
O acervo contempla a ancestralidade africana, objetos de colonizadores europeus e achados arqueológicos da região, como ferramentas, louças, moedas e ossos. O caminhoneiro Ronaldo da Silva comentou: “Fico querendo voltar ao passado para ver como se organizavam: as moedas, os objetos, a cultura e a economia. Tudo isso faz parte de quem somos, mas muitas vezes desconhecemos. Moramos tão perto e não sabíamos da existência de um acervo tão grande”.
Protagonismo histórico da Baixada Fluminense
O museu também evidencia o protagonismo histórico da região. A bancária Adriana Lira afirmou: “É uma conquista ver a história de Nova Iguaçu, que realmente começou aqui. Para mim, moradora, é gratificante ver como a cidade se formou e está representada neste espaço”.
No século XIX, a antiga Vila de Iguassú teve papel estratégico no escoamento da produção de café, base da economia do Império. A carga chegava pela Estrada Real do Comércio, era organizada na vila e embarcada em um porto local, seguindo pelo rio até a Baía de Guanabara. O arqueólogo Diogo Borges explicou: “O visitante encontrará materiais consumidos pela sociedade da época: louças francesas e inglesas, xícaras, vidros, garrafas, cerâmicas, metais e ferramentas”.
O historiador Antônio Ferreira ressaltou a proposta multicultural: “Buscamos um resgate multicultural e multiétnico. Aqui, o visitante encontra a história dos colonizadores europeus, dos povos originários indígenas e das populações escravizadas. Reviver essa trajetória é fundamental para compreender nossa formação”.
Multiplicação do conhecimento arqueológico
Além de expor o passado, o museu se propõe a multiplicar conhecimento. Mais de 200 mil fragmentos arqueológicos já foram identificados durante escavações. Todo o material passa por higienização, catalogação e pesquisa. Diogo Borges completou: “Começamos a perceber que este território é vivo de memória, não um espaço vazio, como muitas vezes a Baixada é retratada. É uma região frequentemente marginalizada, mas aqui propomos outra perspectiva e estimulamos essa reflexão”.
A entrada é gratuita, com visitas abertas às sextas-feiras, sábados e domingos. O bancário Renato Velozo concluiu: “A Baixada é muito mais do que imaginamos. Dá para valorizar muito mais: as cachoeiras, os rios, e agora também os museus. Tem muita coisa boa por aqui”.



