Governo Milei corre para evitar rejeição de soja na Europa após detecção de transgênico
Milei tenta evitar crise com soja transgênica na Europa

O governo do presidente da Argentina, Javier Milei, enfrenta uma crise iminente em sua principal commodity de exportação após a rejeição de carregamentos de farelo de soja pela Holanda, porta de entrada para o mercado europeu. O motivo é a presença da variedade transgênica HB4, desenvolvida pela Bioceres, que ainda não recebeu aprovação da União Europeia. Embora autorizada em países como China e na própria Argentina, a falta de aval europeu pode desencadear um bloqueio mais amplo das exportações, ameaçando receitas anuais superiores a US$ 18 bilhões (cerca de R$ 90 bilhões).

Indústria tenta evitar contaminação

Para conter o problema, produtores e tradings passaram a adotar medidas rigorosas de segregação da safra. A estratégia consiste em isolar completamente a soja HB4, evitando qualquer mistura com o restante da produção. O plano inclui rastreamento geográfico das áreas plantadas, transporte direto até portos específicos e envio sem processamento para mercados onde a variedade é permitida, como a China. A iniciativa é coordenada por entidades que representam gigantes do setor, como Cargill, Bunge e Cofco.

Impacto econômico é elevado

A soja é a principal fonte de divisas do país. No ano passado, as exportações renderam mais de US$ 18 bilhões (cerca de R$ 90 bilhões), valor crucial para recompor reservas internacionais e sustentar a política econômica do presidente Javier Milei. Qualquer interrupção nas vendas para a Europa, que responde por cerca de um quarto das importações de farelo de soja argentino, pode pressionar ainda mais a economia, já fragilizada.

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Europa endurece controle sanitário

O episódio ocorre em um momento de maior rigor regulatório da União Europeia em relação a organismos geneticamente modificados. A rejeição inicial partiu da Holanda, mas há temor de que outros países do bloco adotem a mesma postura, ampliando o impacto comercial. Importadores europeus já demonstram cautela, elevando exigências e intensificando testes nas cargas.

Alternativas incluem redirecionamento

Caso não consiga garantir a conformidade exigida pela Europa, a Argentina avalia redirecionar parte das exportações para outros mercados, principalmente na Ásia. No entanto, especialistas apontam que isso pode ocorrer com desconto de preços, reduzindo a receita em um momento sensível.

Contexto comercial amplia tensão

A crise surge paralelamente à implementação provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, negociado ao longo de 25 anos e ainda sob escrutínio jurídico no bloco europeu. O impasse sobre a soja adiciona um novo elemento de tensão a uma relação comercial já marcada por disputas envolvendo padrões ambientais e agrícolas.

Desafio é provar “contaminação zero”

O objetivo imediato do governo e do setor privado é convencer autoridades europeias de que é possível garantir carregamentos livres da variedade não autorizada. Na prática, isso significa assegurar rastreabilidade total da produção — uma tarefa complexa em meio à colheita de uma safra que ocupa milhões de hectares. O sucesso dessa estratégia será decisivo para evitar uma interrupção mais ampla nas exportações e preservar uma das principais fontes de dólares da economia argentina.

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