Exportação de frutas para Europa não vai encarecer preço no Brasil, diz IFPA
Exportação de frutas para Europa não elevará preços no Brasil

Um aumento significativo na demanda da União Europeia por frutas frescas do Brasil, impulsionado por condições comerciais mais favoráveis, não deve levar a um encarecimento desses produtos para o consumidor brasileiro. A avaliação é de uma representante de uma das principais associações internacionais do setor, que aponta para as características únicas da produção nacional como fator de equilíbrio.

Sazonalidade complementar é a chave para o equilíbrio

De acordo com Valeska Oliveira Cirré, da Associação Internacional de Produtos Frescos (IFPA), a diversidade climática do Brasil e a diferença de hemisférios em relação à Europa criam uma dinâmica positiva. Essa situação gera uma sazonalidade complementar, permitindo que as exportações ocorram em "janelas" específicas do ano, sem que a oferta interna seja comprometida.

"Países como a Espanha, por exemplo, concentram sua produção em períodos distintos dos nossos", explicou Valeska, em declaração no dia 19 de janeiro de 2026. Essa disparidade nos calendários agrícolas reduz significativamente o risco de escassez no mercado doméstico, mesmo com o crescimento das vendas externas.

Produção robusta e consumo abaixo do ideal

A especialista fundamenta sua análise em números concretos da cadeia produtiva brasileira. O país possui uma colheita anual impressionante de cerca de 40 milhões de toneladas de frutas. Além do volume, um dado crucial é o padrão de consumo interno: os brasileiros ingerem, em média, apenas um terço da quantidade recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

"Essa combinação mostra que há espaço de sobra para duas frentes de crescimento", avalia Valeska. A estratégia pode avançar simultaneamente na ampliação das exportações e no estímulo ao consumo interno, sem que uma ação pressione os preços em detrimento da outra.

Frutas em destaque e benefícios para a cadeia

Entre os produtos que mais se beneficiam do acesso ampliado ao mercado europeu estão itens que já são tradicionais na pauta de exportação do agronegócio brasileiro. A lista inclui:

  • Uvas
  • Limões
  • Abacate
  • Mamão
  • Gengibre

A expectativa do setor é que o aumento da receita em moeda estrangeira gerado por essas vendas incentive novos investimentos. Os recursos podem ser direcionados para áreas essenciais como:

  • Tecnologia de ponta no campo e na pós-colheita
  • Sistemas avançados de rastreabilidade
  • Ganhos de eficiência em toda a cadeia produtiva

Essa modernização, por sua vez, tende a fortalecer toda a estrutura do setor, criando um ciclo virtuoso. No final, o ganho em escala e produtividade pode chegar também ao consumidor final, mantendo a disponibilidade e a estabilidade de preços no mercado nacional.

Portanto, a visão apresentada pela IFPA contrapõe a preocupação inicial de que a maior abertura comercial resultaria em frutas mais caras nas prateleiras brasileiras. A análise aponta que a maior competitividade internacional deve fortalecer a cadeia produtiva, gerando benefícios que vão desde o produtor rural até o consumidor das cidades.