Cervejaria Manube: sabores caiçaras e cultura santista em Santos
Cervejaria Manube: sabores caiçaras em Santos

Cervejaria artesanal Manube conquista paladares com DNA caiçara em Santos

Em Santos, no litoral de São Paulo, a cervejaria artesanal Manube vem se destacando ao oferecer receitas com sabores inusitados, como abóbora, paçoca, açaí e mate com abacaxi, além de nomes inspirados na cultura local. A proposta é proporcionar aos clientes uma experiência com identidade caiçara, memória afetiva e criatividade, por meio de referências regionais.

Produção e comercialização

A empresa produz cerveja em fábrica própria e comercializa a bebida em um bar no mesmo terreno, localizado no bairro Aparecida. No estabelecimento, a cerveja é servida por torneiras em barris e também em latas com rótulos personalizados. As embalagens coloridas fazem referência aos nomes das cervejas, inspirados em gírias e pontos conhecidos de Santos. Em entrevista ao g1, a proprietária Lucinaira Souza Andrea afirmou que as latas chamam a atenção e são frequentemente compradas como presente.

Sociedade e paixão pela cerveja artesanal

Lucinaira mantém o negócio em sociedade com o marido Adriano Andrea, que se apaixonou pela produção de cerveja artesanal após fazer um curso em 2017. Segundo ela, Adriano gosta de criar receitas com sabores diferentes, o que se tornou uma marca registrada da Manube. “A gente produz cerveja comum, mas a nossa especialidade é fazer o diferente. O universo de cerveja artesanal e de estilos é gigantesco. Existem mais de 50 estilos diferentes”, comentou Lucinaira.

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Receitas sazonais e sabores fixos

Para atrair clientes durante todo o ano, a cervejaria cria receitas sazonais de acordo com as épocas festivas. O último lançamento foi a cerveja de chocolate, em parceria com uma doceria de Santos, alusiva à Páscoa. A bebida com sabor de açaí foi lançada no verão e em comemoração ao aniversário da cidade, enquanto a cerveja sabor paçoca foi criada para a festa junina. De acordo com a proprietária, os produtos foram pensados para produção sazonal, mas alguns sabores se tornaram fixos, como a cerveja de abóbora. “Ela foi lançada para o Halloween, mas teve aceitação tão grande que virou uma cerveja de linha, sempre disponível”, afirmou.

Nomes que homenageiam a cultura santista

Os nomes das cervejas fazem alusão à cultura santista, seja por meio de gírias, ícones ou pontos da cidade. A cervejaria se define como um estabelecimento com “DNA caiçara”. “Todas as nossas cervejas têm nomes relacionados a Santos e são inspiradas no paladar do cliente santista”, disse Lucinaira. Exemplos incluem:

  • Mureta: Session IPA
  • Magrela: American Pale Ale (APA)
  • 88 Mango: Sour de manga com cajá (88% manga, 12% cajá)
  • Quebra-Mar: New England IPA
  • Fantasma do Paquetá: Pumpkin Ale (abóbora)
  • Cabulosa: Sour de morango, hibisco e cumaru
  • Piuí: English Brown Ale de paçoca
  • Maré alta: Sour de açaí
  • Da Barra: Oatmeal Stout de chocolate com nibs de cacau
  • Da Praia: Sour de mate com abacaxi
  • Guaiaó: Sour de pitanga
  • Catraia: Vienna Larger
  • Linha da máquina: English Porter (escura)

Segundo Lucinaira, os nomes precisam ter relação com o estilo de cada cerveja. Por exemplo, a bebida de Halloween leva o nome de uma lenda santista: o Fantasma do Paquetá. Já a ‘88 mango’ é uma mistura: “O ‘8’ é a porcentagem de manga, e ‘mango’ é como o santista chama dinheiro”, explicou. A cerveja de mate com abacaxi foi nomeada ‘Da praia’, pois remete ao que se consome na praia. As tradicionais, como mureta (símbolo dos canais) e magrela (gíria para bicicleta), homenageiam a cidade. “O objetivo é sempre homenagear Santos, o santista e o jeitinho caiçara, esse orgulho 013”, informou Lucinaira.

Variedade e rotatividade

Ao menos 25 sabores já foram produzidos pela Manube, mas alguns saem de linha. “Temos sempre 14 torneiras de cerveja disponíveis, e é rotativo. Intercalamos entre reproduzir receitas antigas e criar novas, porque o público gosta de novidade”, disse.

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Processo artesanal

A produção de cada cerveja leva de 15 a 22 dias, pois é artesanal, sem uso de essências, aromas ou conservantes industrializados. “Quando digo que a cerveja é de abóbora, é de abóbora mesmo. Adriano compra abóbora na feira, faz um doce com especiarias e coloca no fermentador. A de paçoca: ele compra caixas de paçoca e joga no fermentador”, exemplificou Lucinaira.

História da Manube

A cervejaria nasceu em 2020, fruto de uma sociedade entre Adriano e o primo Carlos Eduardo. O nome é uma homenagem às filhas deles: Manuela e Betina. Inicialmente, a produção era “cigana”, ou seja, com receita própria em fábricas alugadas, vendendo para bares e cervejarias. Esse método é comum no meio artesanal. O negócio seguiu assim até 2024, conquistando prêmios nacionais. Uma consultoria sugeriu a sede própria, e a fábrica bar foi inaugurada em 2025. A partir daí, a sociedade passou a ser apenas de Adriano e Lucinaira, que conciliam o empreendedorismo com suas carreiras em segurança do trabalho e jornalismo. “O feedback tem sido muito bom, é gratificante ver as pessoas provando e ficando encantadas”, finalizou a proprietária.