Cacau no Oeste Paulista: Pesquisa da Unoeste avalia potencial de renda para produtores
Cacau no Oeste Paulista: Pesquisa avalia potencial de renda

Cacau no Oeste Paulista: Pesquisa da Unoeste avalia potencial de renda para produtores

O cacau, matéria-prima essencial para a produção de chocolate, pode se tornar uma nova fonte de renda para agricultores do oeste paulista. Uma pesquisa inovadora desenvolvida pela Universidade do Oeste Paulista (Unoeste), em Presidente Prudente, está investigando se o clima da região é adequado para o cultivo do cacaueiro, com previsão de produção de aproximadamente 2 mil mudas para plantios experimentais.

Variedades promissoras e produção de mudas

O estudo iniciou com a retirada de sementes de frutos de três variedades de cacau: CNN 51, BN 34 e OS 1319, enviadas de uma propriedade rural em José Bonifácio, na região de São José do Rio Preto. Essas variedades foram escolhidas por já serem cultivadas comercialmente em áreas com clima similar, aumentando as chances de sucesso na adaptação ao oeste paulista.

As sementes estão sendo utilizadas na produção de mudas no Viveiro de Mudas da universidade, localizado no campus 2, com a participação ativa de alunos de agronomia. Marcelo Rodrigues Alves, professor doutor responsável pelo projeto, explica que a semelhança climática entre as regiões é um fator crucial para o potencial de cultivo.

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Testes preliminares e expansão experimental

Testes iniciais já resultaram na produção de algumas mudas, que atualmente possuem cerca de seis meses de desenvolvimento. A germinação das sementes ocorre entre cinco e dez dias, enquanto a formação completa da muda leva aproximadamente seis meses. A próxima etapa inclui a ampliação da produção e o início de plantios experimentais no campus e em propriedades rurais do Pontal do Paranapanema.

Parte das plantas também será distribuída a produtores rurais através do programa de extensão Pequena Propriedade Produtiva e Sustentável (PPPS), visando integrar a cultura na agricultura familiar.

Custos e potencial econômico do cultivo

O custo médio do plantio de cacau é estimado em R$ 30 mil por hectare no primeiro ano, com valores variando conforme o manejo e cultivos consorciados. Nos dois anos seguintes, o investimento cai para R$ 10 mil por hectare, destinado a tratos culturais e adubação. Na fase adulta, quando a produção já está estabelecida, os custos anuais com mão de obra e manejo giram em torno de R$ 20 mil por hectare.

Embora o cacaueiro comece a produzir frutos após dois anos, as colheitas comerciais só iniciam a partir do quarto ano de cultivo. A produtividade esperada é de uma tonelada de amêndoas secas por hectare ao ano, podendo chegar a três toneladas com manejo adequado, incluindo irrigação e adubação eficientes.

Vantagens para pequenos produtores e sistemas consorciados

O cultivo do cacau apresenta diversas vantagens, especialmente para pequenos produtores e assentamentos rurais. A planta pode ser cultivada em áreas menores, inclusive com menos de um hectare, e aproveita integralmente o fruto: a casca é usada para ração animal ou compostagem, a polpa para sucos ou licores, e as amêndoas para a produção de chocolate.

Além disso, o cacau é ideal para sistemas consorciados, como agroflorestas, podendo ser plantado junto a bananeiras, que oferecem sombreamento e proteção contra ventos nos primeiros anos. Marcelo Rodrigues Alves destaca que o cacau tem boa fluidez de mercado, com amêndoas que podem ser armazenadas para comercialização em épocas mais favoráveis.

Pesquisas científicas e objetivos futuros

O projeto inclui pesquisas científicas avançadas, como a dissertação de mestrado de Juan Victor Oliveira, que estuda o uso de biochar de lodo de esgoto e pó de rocha na produção de mudas de cacaueiro. Outro estudo, desenvolvido pelo estudante Leonardo Henrique Xavier da Silva, avalia a germinação em diferentes substratos.

Atualmente, as mudas são destinadas exclusivamente para fins de pesquisa, com foco no desenvolvimento inicial do cacaueiro e métodos de germinação. O objetivo principal é criar bosques de cacau dentro das áreas de pesquisa da universidade, gerando conhecimento para ser transmitido aos produtores, em vez de distribuir as mudas diretamente.

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Cronograma e expansão regional

A pesquisa tem um cronograma estimado em dois anos, com um ano já concluído na fase de produção. Após a aquisição das sementes, o plantio será realizado, e os primeiros testes estão previstos para cerca de 90 dias. Os pesquisadores buscam avaliar o potencial de expansão da cultura para outras regiões do interior paulista com clima quente e disponibilidade de água, como as regiões administrativas de Bauru e Araçatuba.

Caso os resultados sejam positivos, o cultivo do cacau poderá representar uma nova alternativa econômica sustentável para pequenos produtores, agricultores familiares e moradores de assentamentos rurais, diversificando a produção agrícola e fortalecendo a economia local.